Em entrevista ao programa "Meio de Campo", da Rede Minas, o presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, chorou ao falar sobre as manifestações agressivas de parte da torcida do Cruzeiro sobre a sua gestão em 2015. Novamente, ele garantiu a permanência do técnico Vanderlei Luxemburgo no comando da equipe, culpou a imprensa pelo momento do time e descartou rebaixamento para a Série B.

Confira os principais pontos da entrevista:

Manifestações da torcida

"Até então, eu via torcedores me xingar, xingar o presidente do Cruzeiro porque o clube não estava rendendo o suficiente, mas nesse jogo contra o Palmeiras, certas coisas eu não tolero. Se existe uma coisa que exijo é respeito com o trabalho que tenho, com uma coisa que preguei sempre a vida inteira que é minha idoneidade moral. Teve um cafajeste que chegou lá, eu saindo do camarote. Eu estava no camarote com investidores internacionais, que vestiram a camisa do Cruzeiro, mandamos colocar o nome da empresa na camisa para convencê-los a serem patrocinador máster do Cruzeiro, eles vestiram, ficaram com a camisa e a gente entusiasmado que eles podem ser o próximo patrocinador master do Cruzeiro, e essas pessoas começaram a receber moeda em cima deles, notas, me chamando de ladrão".

"Acho esse tipo de procedimento um absurdo, esse tipo de desrespeito, mas muitas pessoas da imprensa estão levando os torcedores a reagirem desta forma. Porque eles falam pessoalmente o meu nome. Eu escutei nas rádios, eu acompanho o futebol o dia inteiro, hoje eu não trabalho mais a não ser para o Cruzeiro e para acompanhar futebol. Eu vejo comentarista falando que tem que mandar dirigente embora, treinador embora, fulano embora, conselho deliberativo tem que reunir e tirar esse presidente. Isso é um absurdo o que o comentarista chega a falar, achando que ele tem que convencer os outros porque está com a razão de qualquer forma. Agora ele estão começando a levar a coisa para o lado pessoal, agora não é só o treinador, não é só o diretor de futebol, é o presidente também. E leva uma situação dessa, de torcida tirar foto da minha casa e convocar torcedor para fazer arruaça, invadir a sede administrativa para tentar chegar ao presidente de qualquer forma. Eu não tenho medo, nunca tive medo, fui criado sem medo e vou morrer sem medo. E já passei da idade de ter medo, pressão não vai me fazer nada".

"Agora, fico com dó da minha esposa porque ela se preocupa comigo. Uma coisa a torcida do Cruzeiro pode estar certa, o Conselho do Cruzeiro me conhece e sabe: no dia que acabar minha gestão vou mostrar para a torcida do Cruzeiro a minha declaração de imposto de renda de quando entrei e quando saí. Não vou levar um centavo. Vou levar à frente, nunca fugi de nada".

Imprensa

"Muitos da imprensa queriam, falavam no nome do Luxemburgo e muita gente interna pedia sua contratação. Nos não podíamos, com a situação que vivíamos, arriscar com um treinador sem experiência. Não sei porque está ultrapassado. Eu acompanho o treinamento de treinadores há muitos anos. De todos os que trabalharam no Cruzeiro, o melhor é ele. Que mais trabalha é ele. Às vezes não é tempo de trabalho, mas é intensidade do trabalho".

Luxemburgo (a entrevista foi gravada antes do jogo contra o Santos)

"Se a gente não ganhar do Santos no domingo não é o fim do mundo. O time do Cruzeiro está caminhando para encaixar. Acho que não é hora de trocar de treinador".

Série B

"Não. Acho que não é possível isso acontecer. Os jogadores que nós temos, o nível é muito bom. Precisa ter um encaixe melhor e isso está quase acontecendo".

Isaias Tinoco

"O Isaias era sim diretor de futebol e não é de agora, é de 35 anos que ele exerce essa atividade. Ele está sendo criticado por causa de uma colocação que ele fez em uma entrevista na Toca II, para a imprensa, e ele não quis dizer que a torcida do Atlético... Ele, diretor de futebol do Cruzeiro, não acha que a torcida do Atlético é maior do que a do Cruzeiro. Ele disse o seguinte, falam aqui que é, mas no Brasil todo mundo sabe que a torcida do Cruzeiro é maior. Ele já se explicou, já saiu no site do Cruzeiro que ele não falou. Não quis diminuir a torcida do Cruzeiro. Mas aproveita-se de tudo".

Desmanche

"Eu acho isso muito injusto por parte da imprensa, porque quem acusa a diretoria de ter feito desmanche é a imprensa. Mas a imprensa não raciocina o que de fato aconteceu. Os dois maiores nomes daquela equipe de 2013 e 2014 eram Ricardo Goulart e Everton Ribeiro, e não tive como segurar esses jogadores. O Lucas Silva, para você ter ideia, o Cruzeiro não tinha nenhum interesse em vendê-lo porque só tinha 10%, o resto foi todo fatiado para pagar aquelas dívidas do tempo que ficou sem jogar no Mineirão e perdemos receita do Sócio do Futebol, bilheteria, então jogávamos com prejuízo. Dois anos e meio assim. Por isso que, quando assumimos, não tínhamos dinheiro nem para pagar salário de jogador".

Dívida

O Cruzeiro esteve no princípio do ano com situação financeira melhor, inclusive pagamos muitas coisas com a venda desses atletas. Mas estamos carregando dívida de administrações anteriores, viemos acumulando dívidas, e dívidas desse time, desse elenco que montamos e fomos protelando pagamentos e estamos pagando até hoje. Agora, a coisa está voltando a ficar difícil para o Cruzeiro com o fato de a torcida não estar nos dando mais retorno do departamento de sócio-torcedor e de receita no Mineirão, a gente está tendo de novo dificuldade para trazer jogadores de nível para reforçar a equipe e para pagar a folha de pagamento.

Marcelo Oliveira

"Em 2015, o Cruzeiro começou pessimamente. Fomos eliminados depois de perder para Tombense, Caldense, e eliminados de disputar a final com a Caldense pelo Atlético. Fomos disputar a Libertadores e fomos até o último clube brasileiro a ser eliminados da Libertadores, porque fomos até as quartas de final, se tivéssemos passado teríamos ido à semifinal com muita chance de ganhar, porque as finais foram com adversários mais fracos do que as quartas de final. Mas, por causa da Libertadores, deixamos de priorizar o Brasileiro e começamos perdendo, num jogo de mando de campo nosso, mas que estávamos pagando perda de mando de campo por causa de comportamento da torcida e perdemos para o Corinthians, com nosso time reserva".

"Eu recebi manifestação de alguns jogadores do Cruzeiro dizendo que ele não estava mais tendo comando da equipe e quando o treinador perde esse entusiasmo e comando, é preciso trocar. E depois ele deu entrevista nesse sentido, dizendo que acha que treinador não pode ficar muito tempo aqui no Brasil. Aqui os jogadores são diferentes de clubes estrangeiros, em que os treinadores ficam muito tempo".

Minas Arena

"A relação é boa. Existe só uma reclamação da Minas Arena, mas esse fato foi criado por eles mesmo, não foi o Cruzeiro. Não existe dívida nenhuma. O Cruzeiro assinou um contrato e, dentro das cláusulas que colocamos, existe uma que diz com todas as letras o seguinte: qualquer condição melhor que a Minas Arena fizer para outro clube, o Cruzeiro tem direito. Ninguém pode jogar lá com condição melhor do que a do Cruzeiro. Nós dividíamos com a Minas Arena o custo de operação do estádio, porque está no contrato, aí o Atlético resolveu jogar uma partida da Libertadores na Minas Arena e a Minas Arena estava doida para levar o Atlético para lá, para ter outro clube para trazer receita, aí fez uma gracinha para o Atlético e permitiu que o Atlético jogasse lá sem pagar a operação do estádio. Se permitiu a um clube a condição melhor do que a oferecida ao Cruzeiro, nós temos direito a essa condição".


Veja a entrevista na íntegra: