O feito é importante, mas a dura realidade do Cruzeiro neste momento da temporada faz com que a marca expressiva fique sem o brilho merecido, sem o holofote que deveria receber. O volante Henrique pode completar 500 jogos com a camisa estrelada nesta quarta-feira, às 19h30, caso entre em campo para enfrentar o Ceará, no estádio Castelão, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Na intensa luta contra o rebaixamento e depois de perder no Mineirão por 2 a 1 para o Flamengo, líder do Brasileirão, o que poderia ser festa pelo jogo 500 do capitão Henrique no clube acaba tendo outro cenário. 

O capitão

Henrique é um paranaense com características de um mineiro. E, comendo pelas beiradas, entrou para o hall de jogadores importantes da história do Cruzeiro. Contra o Ceará, quarta-feira, no Castelão, o volante atingirá 500 jogos pela Raposa, marca que simboliza a sua grandeza no clube.

“Não é o momento em que a gente gostaria de estar nesta situação. Mas nas dificuldades você encontra forças para superar todos os obstáculos. No futebol de hoje se muda muito de time, então atingir essa marca de 500 jogos é para poucos atletas”, ponderou Henrique.
Muita coisa mudou para o atleta que estreou pelo Cruzeiro com 23 anos no dia 3 de abril de 2008, na vitória por 3 a 1 sobre o San Lorenzo, da Argentina, no Mineirão, pela Libertadores. Henrique chegou à Toca da Raposa por indicação de Adilson Batista, que também foi o responsável por subir o volante para os profissionais do Figueirense, em 2006, e levá-lo para o Júbilo Iwata, do Japão, no ano seguinte. 

“No treino dos juniores (ainda no Figueirense) me chamava atenção a postura dele. Cabeça erguida, ganhando as bolas pelo alto no tiro de meta, marcando os meias firmes sem fazer falta, fazia viradas de jogo”, lembrou Adilson Batista. 

Henrique demorou para decolar no Cruzeiro. Um dos motivos em 2008, segundo o ex treinador da Raposa, era a forte concorrência entre os volantes. “Tínhamos Charles, Ramires, Fabrício, Marquinhos Paraná. Ele foi crescendo com o tempo. Fico feliz de vê-lo completando 500 jogos com esta camisa maravilhosa. É um time que eu tenho muito amor”, destacou Adilson. 

Henrique cresceu e virou titular do meio-campo cruzeirense. A saída para Santos, entre 2011 e 2013, não ofuscou o brilho do volante na Toca da Raposa. No time celeste, o jogador vivenciou conquistas, como o bicampeonato Brasileiro, em 2013 e 2014, e o bi da Copa do Brasil, em 2017 e 2018. 

Colecionou decepções também, como a perda da Libertadores de 2009 para o Estudiantes, em pleno no Mineirão. Naquela noite de 15 de julho de 2009, Henrique poderia ter sido o herói, já que marcou o gol da Raposa contra os argentinos na derrota por 2 a 1.

No Cruzeiro, Henrique nunca foi protagonista, mas sempre foi importante pelos treinadores que passaram pelo clube. É considerado aquele jogador que não aparece para a torcida, mas funciona como peça essencial na engrenagem do meio-campo celeste.

Em busca do Top 5

Henrique é o oitavo jogador que mais vezes vestiu a camisa do Cruzeiro. À frente dele no ranking estão Fábio (852 jogos), Zé Carlos (633), Dirceu Lopes (610), Piazza (566), Raul Plasmann (557), Eduardo Amorim (556) e Vanderlei (538). 

Com contrato até dezembro de 2020, Henrique pode atingir uma marca ainda mais importante e entrar no Top 5 na lista de atletas que mais atuaram pela Raposa. 

“A cada vez que chego a marcas de jogos, sempre busco mais porque não paro e não me acomodo. Feliz pela marca, mas pela situação não. Vamos tentar chegar a essa marca com vitórias”, completou.