"Plantar sementes" no inerte mercado da bola é a estratégia adotada por Alexandre Mattos, diretor executivo do Atlético", enquanto a pandemia do novo coronavírus impede que o futebol volte às atividades normais no país e também em todas as partes do planeta. O cenário, para ele, é desesperador.

Contratado recentemente para trabalhar diretamente com o técnico Jorge Sampaoli, Mattos não teve muito tempo na Cidade do Galo; segundo ele, foram apenas dois dias por lá. Isso, inclusive, dificulta algumas ações dentro e fora das quatro linhas.

"A nossa vida está de cabeça para baixo. Não temos como planejar nada porque não há data (de retorno). O mundo do futebol está parado. Obviamente estamos deixando algumas sementes, tanto de chegadas, quanto de saídas", disse o executivo em entrevista ao programa Os Donos da Bola, da Band Minas.

"Vivemos um momento ímpar, de incertezas, pessoal e profissionalmente. Quando você contrata uma comissão técnica como a do Sampaoli, num projeto com busca de títulos, e a grandeza do Atlético, é claro que empresários e atletas desejam participar deste projeto. Temos que alinhar o futuro com antecipação. Gosto de pensar lá na frente. O cenário, porém, não é para o clube fazer investimentos. Há uma semana comunicamos jogadores e outros funcionários da redução salarial, então não seria coerente ir ao mercado agora", acrescentou.

Transição

Questionado sobre a manutenção ou não da equipe de transição (Sub-23), Alexandre Mattos não soube definir a situação. Segundo ele, haverá uma análise assim que a bola voltar a rolar.

"Apesar de ter quase um mês, efetivamente eu estive dois dias na Cidade do Galo. Toda boa ideia pode ser melhorada ou ter uma continuidade. Vamos colocar na balança para ver se está interessante. Temos mais uma equipe, mais uma comissão técnica, mais jogadores. Precisaremos de um tempo para saber se há retorno financeiro ao clube", explicou o cartola, que também explicitou que o clube está num processo de enxugamento de folha.

"Todos os clubes estão passando por isso (crise pela paralisação). A busca pelo dinheiro é muito parecida. O cenário é desesperador. Os próprios bancos estão com dificuldades e estão segurando algumas situações. Se isso se prorrogar por dois, três, quatro meses, tenho muita preocupação com o que vai acontecer com os clubes", prosseguiu.

Sampaoli

Durante a participação no programa, Mattos também foi questionado se acredita que Jorge Sampaoli entenderá o cenário e possíveis não contratações, que em outrora poderiam ser feitas.

"Faremos todo o possível, mas sem prejudicar o Atlético, Nunca vivemos algo parecido no mundo. O Sampaoli é bastante inteligente para entender que isso faz parte de um processo jamais visto e se enquadrar nesta realidade. Eu também vim com expectativas que terão que ser adaptadas", finalizou.