Antes de ser finalista e herói do Audax no Campeonato Paulista, o goleiro Sidão viveu emoções bem menos gloriosas do que do que defender dois pênaltis contra o Corinthians. Após se envolver com álcool e drogas e até largar o futebol, somente agora, aos 33 anos, ele vive a recompensa de uma carreira difícil em times pequenos.

Os desafios de atuar por clubes de menor expressão tinham cansado o goleiro anos atrás. "Alguns times não pagavam, aí larguei. Queria ter uma estabilidade para poder casar e ter filhos. Até que uma recebi uma oportunidade. Encarei como a última", contou.

Até chegar a proposta para defender o Rio Claro no Campeonato Paulista da Série A2, em 2012, Sidão aproveitou a estatura de 1,89 metros para ser contratado em outra profissão. "Fiz muito bico de segurança, por conta do meu tamanho. Um cara da minha igreja, que era ex-militar, me chamava", afirmou. O local de trabalho era no Theatro Municipal.

O hiato de um ano longe dos gramados não foi o único momento em que o goleiro deixou o futebol em segundo plano. O primeiro distanciamento foi entre os 17 e 20 anos. Sidão admite ter sido levado por más amizades para o álcool e as drogas.

Neste período, o jogador estava no Corinthians B, time que acabou desativado com a dispensa de todo o elenco. O uso recorrente de maconha fez o clube se preocupar e até pedir para que uma psicóloga o visitasse em casa, em Taboão da Serra (SP). "Eu estava bem perdido na minha vida", afirmou.

O auxílio dela e o incentivo de amigos o fizeram abraçar a religião. O goleiro retomou a carreira com seriedade, conheceu a futura esposa e anos depois, mais precisamente no último sábado, viveu o ápice da redenção, na semifinal contra o Corinthians. Sidão defendeu dois pênaltis no estádio Itaquerão e eliminou o clube onde se profissionalizou.

"A repercussão da vitória nos pênaltis foi imensa, maior até mesmo do que quando o time fez 4 a 1 no São Paulo. Fui almoçar em uma padaria e me reconheceram", contou, espantado com a fama repentina.

O papel de protagonismo na reta decisiva do Campeonato Paulista veio por acaso. Sidão era reserva de Fellipe Alves, que se machucou. Sobrou, então, ao técnico Fernando Diniz escalar o suplente, um velho conhecido do clube.

O goleiro está no Audax desde 2012, depois de passagens por clubes como Grêmio Prudente e Guaratinguetá. A longa estadia o faz ter a confiança do treinador para compor o estilo em que quem está sob as traves é fundamental, por iniciar as jogadas sem chutões. "Estranhei o jeito dos treinos no começo. Tinha de trabalhar com o pé e o domínio da bola", admitiu.

O Audax quer renovar por mais dois anos o contrato com o goleiro, que passa por ótima fase também na vida pessoal: a mulher dele está grávida do primeiro filho. "Ele se chamará Davi", disse.