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A rivalidade entre os clubes no Brasil ganhou um novo tempero: as discussões envolvendo balanços contábeis das equipes. Em tempos de pandemia, e já que o coronavírus afastou a população dos bares, questionamentos do tipo “seu time deve mais do que o meu” saíram das rodas de boteco e ganharam com muita força às redes sociais. Com isso surgiu uma nova categoria de torcida: agora existem até os “torcedores de balancetes” 

Se os cruzeirenses se gabam por terem comemorado historicamente mais títulos importantes do que o Atlético, agora os atleticanos zombam dos rivais pela urgência e emergência das dívidas azuis.

É que pela primeira vez desde 2002, quando a Lei Pelé passou a exigir dos clubes publicação anual de balanços, o Cruzeiro tem dívida maior do que o Atlético. (R$ 799 milhões x R$ 656 milhões).

Tendo em vista essa nova realidade financeira dos clubes brasileiros, o Itaú BBA e a revista Placar lançaram um ranking nacional que mede a qualidade dos trabalhos financeiros das equipes nacionais. E nesse “Índice de Gestão Esportiva” as posições de Cruzeiro e Atlético na tabela são alarmantes, mas o time celeste ainda assim está atrás do Alvinegro.

A Raposa aparece na “lanterninha” e o Galo o 17º dentre 20 equipes nacionais. (Veja ranking completo no fim da matéria)

De acordo com a metodologia de criação do Índice Placar/itaú BBA foram instituídos nove indicadores para pontuar os clubes de acordo com o trabalho nos bastidores financeiros. E a cada um desses itens foi atribuído nota entre 2 e -2 pontos. A soma dessas variáveis indicou a classificação dos clubes. 

“O Cruzeiro apresentou gastos muito acima das receitas, dívidas muito maiores do que a capacidade que o clube tem de pagar. Não houve nos dois últimos anos, 2018 e 2019, quase nada de positivo. A situação é muito complicada por que o clube tem dificuldades de gerar novas receitas”, disse o consultor do Itaú BBA Cesar Grafietti, um dos responsáveis pelo estudo junto com a Placar. 

“A vantagem é que o Atlético ainda tem patrimônio, vendeu metade do shopping para colocar na construção do estádio, mas tem a outra metade. Se vender essa parte melhora a qualidade de dívidas. Mas precisa fazer, dar o segundo passo. Sinto falta dos tais investidores, os conselheiros endinheirados, deveriam ajudar na reestruturação, no fluxo de caixa, garantir a estrutura funcionando bem, e não para aumentar o problema”, analisou Grafietti, que ressaltou ter analisado os dados do clube levando-se em conta parte do balanço que circulou na internet. 

Em 2019 o déficit do Cruzeiro foi de R$ 394 milhões. Já o déficit do Atlético foi R$ 5,8 milhões, contrariando política de austeridade do presidente Sette Câmara.

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