Virou rotina para o São Paulo jogar mal, mostrar apatia e ser vencido por placares confortáveis. A diferença é que neste domingo o algoz não foi nenhum rival, mas sim um time do interior. O organizado Botafogo aproveitou as falhas do adversário para ganhar por 2 a 0, no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto (SP), pela 14.ª e penúltima rodada do Campeonato Paulista.

A equipe da casa matou o jogo com gols no segundo tempo depois de levar alguns sustos na primeira etapa. O resultado leva o time do Morumbi a perder o posto de segunda melhor campanha para o Palmeiras e embora já esteja classificado, pode ter que atuar fora do Morumbi nas quartas de final contra o Red Bull Brasil.

É impossível analisar o desempenho do São Paulo em 2015 sem ser repetitivo. Lentidão, toques para o lado e falta de criatividade já são defeitos tão aguardados que os adversários já sabem como explorar. Nem mesmo o time com a força máxima à disposição e armado em uma nova formação tática foi capaz de dar uma nova dinâmica. O São Paulo parece não ter repertório suficiente para surpreender e demonstra estar sufocado dentro do vício de jogar da mesma maneira.

O técnico Muricy Ramalho armou o time no 4-5-1. Alexandre Pato centralizado tinha de jogar de costas para a defesa e era facilmente desarmado. Os alas Centurión e Ewandro é quem chegavam com mais liberdade e não fosse a falta de pontaria deles, o time teria marcado no primeiro tempo. Em três oportunidades, os são-paulinos entraram na área para finalizar, mas erraram. O goleiro Renan Rocha saiu consagrado pelas defesas.

A desorganização para criar contaminou o setor defensivo e ainda no primeiro tempo o São Paulo recebeu alguns avisos do perigo. Os volantes avançaram demais e com a defesa fora de posição, o Botafogo ameaçou e quase fez.

O gol só foi sair no começo do segundo tempo em lance que reuniu todos os defeitos do São Paulo na partida. A lentidão de Paulo Henrique Ganso para criar, facilitou o desarme. O Botafogo avançou no contra-ataque e pegou a defesa desarrumada. Diogo teve a incrível liberdade para ir até a linha de fundo e rolar para trás. Vítor bateu firme de primeira para fazer 1 a 0, aos 5 minutos.

O gol deu à equipe da casa a tranquilidade de ficar na defesa e assustar nos contra-ataques. Pelo menos o São Paulo passou a arriscar um recurso pouco utilizado. Em chutes de fora da área, chegou a levar perigo.
A pouca inspiração da equipe do Morumbi sequer teve esperança de mudar porque no banco de reservas as opções eram poucas. Com Michel Bastos, Luis Fabiano e Alan Kardec machucados, somente Boschilia era o suplente para o setor ofensivo e como ele já tinha entrado no intervalo, restou se virar com o que já estava em campo.

O apático São Paulo ainda levou o segundo gol aos 34 minutos e sofreu uma bola na trave nos descontos. O Botafogo cumpriu à risca a tarefa de jogar no erro do rival e até se surpreendeu com a facilidade para fazer dois gols e cativar os gritos de "olé" da torcida, enquanto que os visitantes só esperavam o fim do repetitivo martírio de derrotas inquestionáveis.

FICHA TÉCNICA

BOTAFOGO 2 x 0 SÃO PAULO

BOTAFOGO - Renan Rocha; Gimenez, Eli Sabiá, Halisson e Dênis; Liel, André Rocha, Bruno Costa e Vitor (Henrique Santos); Rodrigo Andrade (Carlão) e Diogo Campos (Wesley). Técnico: Régis Angeli.

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Hudson, Rafael Toloi, Dória e Reinaldo; Denilson, Souza, Ewandro (Thiago Mendes), Paulo Henrique Ganso e Centurión (Boschilia); Alexandre Pato. Técnico: Muricy Ramalho.

GOLS - Vítor, aos 5, e Gimenez, aos 33 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Rodrigo Andrade (Botafogo); Denilson, Dória, Reinaldo e Souza (São Paulo).

ÁRBITRO - Douglas Marques das Flores.

RENDA - R$ 157.200,00.

PÚBLICO - 4.004 pagantes.

LOCAL - Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto (SP).