A Polícia Civil de Minas Gerais, em entrevista coletiva, apresentou nesta terça-feira (11) o relatório da Operação Primeiro Tempo, que investiga a gestão do clube em 2018 e 2019. E o maior valor suspeito são R$ 3,7 milhões, numa operação imobiliária.

Sim, um empresário do ramo de EPIs, que fez um empréstimo de R$ 2 milhões ao clube, no início de 2018, ganhando direitos econômicos de vários jogadores como garantia para o negócio, fez o pagamento de R$ 3,7 milhões como parte de um apartamento de luxo em área nobre da capital mineira.

Este imóvel foi adquirido por um dos três ex-dirigentes do Cruzeiro que foram indiciados pela Polícia Civil por apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa.

Segundo o delegado Domiciano Monteiro, da Divisão Especializada de Combate a Corrupção, Investigação a Fraudes e Crimes contra a Ordem Tributária, foi apontado ainda no relatório final que os percentuais dos atletas que tinham sido dados como garantia do empréstimo ultrapassava e muito, segundo o mercado, o valor do empréstimo feito pelo empresário ao clube.

Em depoimento, segundo o delegado, o ex-dirigente e o empresário afirmaram que os R$ 3,7 milhões pagos se tratavam de “um contrato de mútuo entre empresário e dirigente, mas o contrato não contém sequer data de pagamento”.

Domiciano revela que o contrato prejudicial ao Cruzeiro, pelo fato de as porcentagens dos jogadores ultrapassar em muito o valor do empréstimo, só foi reajustado um ano depois de assinado, após denúncias da imprensa.