Entrevista: Vissotto fala sobre retorno ao Minas Tênis e expectativas para a temporada

Letícia Lopes
@leticialopesou
11/11/2021 às 17:30.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:14
 (Orlando Bento/MTC)

(Orlando Bento/MTC)

Reconhecido mundialmente, Leandro Vissotto está mais uma vez em terras mineiras. O Fiat/Gerdau/Minas contratou o oposto para fazer parte do time masculino da temporada 2021/2022, ao lado de atletas consagrados como Everaldo, William e Matheus Silva.

Vissotto, aos 38 anos, carrega títulos e experiências em clubes pelo mundo. Passou pela Itália, pelo Egito e pelo Catar, foi vice-campeão olímpico pela Seleção masculina em Londres de 2012 e, desde que retornou ao Minas, neste ano, é um dos destaques da equipe.

Nesta bate-papo ao Hoje em Dia, Leandro enfatiza que seus 2,12m de altura, associados aos 26 anos em quadra, significam uma história de sucesso e, ainda, um futuro deslumbrante.

A entrevista foi feita dias antes de Maurício Souza ter tido o contrato rescindido pelo Minas, por conta da repercussão negativa, em função de atos homofóbicos nas redes sociais do atleta.  

Procuramos então a assessoria do Minas Tênis para repercutir o assunto com Vissotto, mas nem o clube, nem seus atletas, vão se manifestar mais a respeito dessa situação.Orlando Bento/MTC

Voltando ao MTC, como está sendo a readaptação?
Aqui estou em casa. Minha esposa é daqui, meus filhos nasceram em BH. Então, primeiramente, estou voltando para casa. Depois, uma alegria enorme de representar e estar no Minas, o time mais tradicional do vôlei brasileiro, com uma história enorme. Muito feliz por continuar fazendo parte da história.

Nesta nova passagem, qual o principal objetivo do time? E individualmente?
Estou sonhando alto. No ano em que joguei aqui (2005/6), a gente ficou em segundo lugar, e até hoje tem esse gostinho. Meu maior sonho é ser campeão da Superliga pelo Minas.

Como um jogador de grandes títulos, você acredita que pode contribuir com mais técnica ou experiência para o Minas?
Conta a mescla. Temos uma mescla muito boa. Eu, o William, o Everaldo... Somos os mais velhos. E tem uma turma bem nova vindo aí. Isso dá base para o time adulto, e acho que a gente só tem a ganhar. Tem muita coisa para evoluir, e eles (mais jovens) têm como adicionar a energia que falta na nossa idade. Então a gente se complementa, e essa é uma receita muito boa.Orlando Bento/MTC

Você considera estar vivendo qual momento da sua carreira?
No fim (da carreira). Não tem como, não. Estou muito feliz de estar bem nesse momento de fim de carreira, saudável, motivado e ajudando, principalmente. E é questão de tempo. Eu acabarei a temporada com 39 anos. Coloquei como meta chegar aos 40 e acho que chego bem. Estou bem, vamos ver.

E depois dessa meta? O que podemos esperar?
Depois dos 40 a gente vê o que vai acontecer! Se eu estiver bem, vamos estendendo (o tempo como jogador). O importante é estar motivado e ter prazer. Isso eu tenho demais. Gosto de jogar vôlei, gosto de competir, sou muito competitivo. Ficar sem essa adrenalina é difícil. Então, sem prazo de validade ainda!

Você é conhecido por estar sempre dando conselhos aos atletas mais novos. Consideraria outra área de atuação dentro do vôlei ou em outros esportes?
Não tenho como sair. Faço isso aqui desde os meus 11 anos de idade, são 26 anos dentro da quadra. A gente acaba tendo muito conhecimento. O vôlei me deu tudo. Então acho que chega um momento em que temos que compartilhar essa experiência para ajudar os novos atletas a não cometerem os mesmos erros que eu cometi. Tento dar uns toques para que eles sigam um caminho mais assertivo.

O que esperar para a temporada no quesito desafios?
Acho que é um time que tem qualidade técnica muito boa, mas que comete erros pontuais, que, ao longo da partida, vão fazendo diferença. É normal dentro de uma equipe de muitos jogadores novos. Então, é ajudá-los a entender o momento em que podem errar, porque até no voleibol tem que saber a hora de errar e o tipo de erro.

Como aprender a identificar os momentos menos perigosos para o erro?
Isso se pega com o tempo. A gente tenta acelerar esse processo para ter essa evolução e ir jogando no mais alto nível possível.Orlando Bento/MTC

Como você enxerga a influência do Minas no cenário do vôlei?
Minas Gerais e, particularmente, o Minas Tênis Clube têm uma estrutura que você não vê em lugar nenhum no mundo, nem nos clubes pelos quais joguei. Não existe um clube como o Minas, que não é só focado no esporte de alto rendimento, mas que no lazer também.

E o vôlei mineiro? Qual sua avaliação do atual cenário?
Hoje o voleibol mineiro é o mais forte do Brasil. A gente vê a ascensão aí! O Sada sempre bem nos últimos 10, 12 anos, e também novas equipes estão chegando. O Montes Claros está voltando, o Uberlândia está indo bem. Isso é bacana!

Como essa “boa fase” e essa boa estrutura do voleibol mineiro influenciam na formação de novos atletas?
É o que fomenta. O que faz crescer o esporte é ter atletas aqui, dando bons exemplos e inspirando os jovens a jogarem voleibol. Essa é nossa função também. Não só jogar, mas também fazer a diferença com a habilidade que a gente desenvolveu dentro da quadra.

O começo da Superliga está cada vez mais próximo, e o Minas não ganha desde a temporada 2006/2007. Neste ano acaba o jejum?
A gente trabalha para isso. Não podemos trabalhar com certezas num cenário incerto. Mas a gente vai estar trabalhando, se preparando, e, com certeza, temos muita chance de ganhar o campeonato neste ano.

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