Marcos André Batista Santos, o Vampeta, é um dos personagens que entraram para a história do futebol brasileiro. Além dos vários títulos nacionais, o ex-volante participou também da inesquecível “Família Scolari”, que conquistou o pentacampeonato no Mundial de 2002, sediado no Japão e na Coréia. 

Aposentado desde 2011, o baiano, natural de Nazaré das Farinhas, ainda se destaca pelo jeito irreverente, pelas histórias que colecionou durante os quase 20 anos de carreira e por não ter papas na língua.

Aos 44 anos, Vampeta traz no currículo as passagens por Vitória, Corinthians, Flamengo, PSV Eindhoven (Holanda), Internazionale (Itália) e Paris Saint-Germain (França).
Nesta entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, ele relembra as conquistas, duas inclusive contra Atlético e Cruzeiro, fala do carinho por Minas, onde fez o primeiro jogo na Série A, e muito mais.

Você chegou a ser dono do cinema de Nazaré das Farinhas, sua cidade-natal. Ele ainda existe? 
Claro. Está lá funcionando e quem toma conta é uma tia minha. É um cinema histórico, numa cidade do Recôncavo Baiano, fundado em 1921. A região tem toda uma ligação histórica com os senhores de engenho. O cinema é muito importante para Nazaré.

Você atuou com o Dida no Vitória, no Corinthians e na Seleção Brasileira. É o melhor goleiro que você viu jogar durante toda sua carreira?
O Dida, sem dúvidas, foi o melhor goleiro que eu joguei ao lado e o mais complicado de se jogar contra também. Começamos a carreira no Vitória, moramos inclusive juntos no mesmo alojamento, e foi sim o melhor que vi. Somos muito amigos ainda. Temos jeitos diferentes, mas nos damos muito bem.

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Já com o Ronaldo (Fenômeno), você atual no PSV (Holanda), na Inter de Milão (Itália) e também na Seleção, onde foram pentacampeões mundiais, em 2002. Acha que ele teria sido maior ainda caso não tivesse sofrido a grave lesão no joelho?
Poxa! Se o Ronaldo não tem aquela lesão, ele não seria apenas três vezes o melhor do mundo. Se não fossem todos aqueles problemas no joelho, com certeza ele ganharia o prêmio da Fifa mais cinco ou seis vezes. Estávamos na Inter quando ele teve aquela grave lesão. Ficamos juntos e, em alguns momentos, até o ajudei na fisioterapia, treinando junto para poder motivá-lo. Criamos uma ligação desde quando jogamos no PSV, da Holanda.

Pelo Corinthians, você foi bicampeão brasileiro no final dos anos 90. Em 1998, enfrentando o Cruzeiro na final. No ano seguinte, contra o Atlético. O que lembra daquelas decisões? Qual dos mineiros apresentou mais dificuldades para o Timão?
Ah! É difícil eleger um mais difícil. O Corinthians, com toda história que tinha, vinha de uma última conquista do Campeonato Brasileiro em 1990. Assim como contra o Cruzeiro, contra o Atlético fizemos três jogos para sermos campeões. As dificuldades foram as mesmas e os dois times tinham o mesmo nível; foi muito difícil.

 

Tenho um carinho grande por Minas. Meu primeiro jogo num Brasileiro foi em BH, contra o América. Além disso, conquistei dois títulos nacionais contra Atlético e Cruzeiro e, as minhas duas filhas, uma de 15 anos e a outra de 17, têm a mãe mineira


Gostaria de ter defendido um clube mineiro? Recebeu algum convite?
Não, não recebi. Não tive a oportunidade de jogar em Minas e no próprio Rio Grande do Sul. Saio da Bahia, vou para a Holanda, depois para o Rio de Janeiro; depois jogo no Corinthians por três vezes e encerro a carreira aqui mesmo em São Paulo. 

Em algumas oportunidades, você disse que, em Minas, jogaria no Atlético e não no Cruzeiro, pelo simples fato de ser um clube de cores alvinegras. Esta afirmação foi na base da brincadeira?
Eu tenho um carinho muito grande pelos times alvinegros, como o Atlético Mineiro, com o qual me identifico, a Juventus, o Newcastle... Mas eu tenho um carinho muito grande por Minas Gerais. Meu primeiro jogo num Campeonato Brasileiro foi em Belo Horizonte, contra o América. Além disso, conquistei dois títulos nacionais contra Atlético e Cruzeiro e, as minhas duas filhas, uma de 15 anos e a outra de 17, têm a mãe mineira.

Você fez parte da equipe que conquistou a última Copa do Mundo do Brasil, em 2002. Aquela conquista ainda está viva na sua memória? 
Estar presente em 2002 e conquistar aquele título foi um “feliz ano novo” para a nossa carreira. Tive a oportunidade de ser campeão brasileiro, campeão estadual, da Copa do Brasil, do Rio-São Paulo, da Copa América... Mas ser campeão do mundo com a Seleção é a cereja do bolo e o que de fato nos consagra.

Poxa! Se não fossem todos aqueles problemas no joelho, o Ronaldo com certeza ganharia o prêmio da Fifa mais cinco ou seis vezes. Estávamos na Inter ( de Milão) quando ele teve aquela grave lesão. Ficamos juntos e, em alguns momentos, até o ajudei na fisioterapia, treinando junto com ele para poder motivá-lo


E a famosa cambalhota na rampa do Planalto? Faria de novo? Sente saudades daquele momento?
Foi um momento único, de alegria. A gente foi para uma primeira Copa na Ásia e conseguiu bater a Alemanha na final, por 2 a 0, num jogo difícil. Voltamos comemorando, um pouco mais alegre, bebendo, né? (risos) Mas eu faria tudo de novo para ser campeão do mundo.

Faltou a Libertadores no seu currículo?
É, não deu para ganhar tudo. No Corinthians foram sete títulos. Talvez, poderíamos ter ganhado a Libertadores com aquele time que tínhamos eu, Ricardinho, Marcelinho, Edilson, Luizão, Rogério e Dida. Não ficaria a história para Ralph, Sheik e essa galera aí.

Por que sua carreira na Europa não foi tão duradoura?
Fiquei mais na Holanda, foram quase três anos. Na Inter já foi problema em relação ao treinador. No PSG eu tive uma proposta para jogar no Flamengo, para ganhar mais no Brasil do que na Europa. Então, preferi voltar e para mim valeu a pena porque acabei indo para uma Copa do Mundo.

O que a Europa mudou no Vampeta como pessoa e profissional?
Nada.

Você chegou a ser candidato a deputado federal em 2010. Hoje vemos jogadores se posicionando e até escancarando o voto em rede nacional. Acha que política e futebol têm uma ligação importante? 
Não vi problema no posicionamento do Lucas, do Felipe Mello e de outros atletas pelas redes sociais. Acho muito comum e os atletas são cidadãos que têm direito ao voto. 

Há um policiamento exagerado atualmente?
O Felipe Mello acabou de falar e já estava todo mundo xingando. Acho que ele, como brasileiro, tem direito de opinar como qualquer um. A gente vê em outras atividades, outras modalidades, outros seguimentos; os atores, cantores, e apresentadores se manifestando e não dá tanta repercussão. 

Você sempre foi muito brincalhão e se referia ao São Paulo como os “Bambis”. Hoje, considerando todo o contexto em que vivemos, continuaria utilizando este apelido? Acha que sofreria muitos ataques por utilizá-lo? É mimimi ou faz sentido?
Sei lá. Mas eu não teria medo de falar, nem de jogar e nem de fazer novamente tudo o que eu fiz na minha carreira.

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