O ex-vereador de Curitiba Juliano Borghetti (PP), coautor de um projeto de lei durante seu mandato (2009 a 2012), ao qual os torcedores deveriam ser identificados antes de entrarem nos estádios, foi flagrado por fotos em meio à briga entre torcedores do Atlético Paranaense e do Vasco na tarde de domingo, na Arena Joinville, em Joinville (SC), pela última rodada do Campeonato Brasileiro.

As imagens divulgadas não indicam se Borghetti está agredindo ou sendo agredido, mas o colocam no centro da briga. Marido da deputada ítalo-brasileira Renata Bueno, filha do deputado federal Rubens Bueno (PPS), Borghetti é superintendente da autarquia estadual Eco Paraná. Na última semana, ele já havia sido flagrado por uma equipe de TV urinando em uma via pública do Rio, antes da partida entre Flamengo e Atlético-PR, no Maracanã, pela decisão da Copa do Brasil. O superintendente não foi encontrado para explicar sua atuação no episódio, em que quatro torcedores foram hospitalizados.

Um de seus colegas de plenário, Felipe Braga Cortes (PSDB), lamentou as fotos, divulgadas pelo jornal Gazeta do Povo. "Infelizmente é ele (Juliano), não sei o motivo que o levou a isso, tem todo mundo envolvido, não tem classe A, B, C ou D, tinha todo mundo e alguma coisa precisa ser feita", afirmou.

O outro coautor do projeto, aprovado pela Câmara de Curitiba, após a invasão de campo ocorrida no jogo em que o Coritiba foi rebaixado para a Série B, em 2009, Tiko Kusma (PROS) disse que a lei precisa ser fiscalizada. "Se as pessoas que brigaram em Curitiba (durante clássico local que resultou na punição ao Atlético-PR) fossem identificadas acredito que elas não entrariam no estádio de Joinville", comentou.

Na segunda-feira (9), o promotor de Defesa do Consumidor, Maximiliano Deliberador, disse que a torcida organizada "Os Fanáticos" deve ficar um período afastado dos estádios. "Houve uma conversa com o diretor de eventos, Daniel Gomes, e com Juliano Rodrigues, advogado da torcida; para que ocorra um afastamento dos estádios; a forma e o período ainda não foram definidos e será uma ação conjunta com o Ministério Público do Rio de Janeiro", afirmou.

Apesar disso, Maximiliano disse que o tratamento do MP carioca em relação à torcida Força Jovem do Vasco será diferenciado. "Eles já são reincidentes e isso deixa a situação de forma diferente", afirmou.

Em nota oficial, o Atlético-PR lamentou os "acontecimentos bárbaros" ocorridos na partida contra o Vasco e disse que irá tomar providências contra integrantes da diretoria que possam ter tido algum envolvimento na briga. "A Diretoria Administrativa e do Conselho Deliberativo do Clube tomarão todas as providências para identificar os envolvidos e puni-los, caso tenham ligações com a instituição, ou denunciar às autoridades competentes qualquer um que tenha tido participação nos lamentáveis incidentes", concluiu a nota.

O presidente Mário Celso Petraglia elogiou o grupo durante entrevista à Rádio CAP, oficial do clube, mas criticou a ação das torcidas e disse que o vandalismo vascaíno é herança de Eurico Miranda. "Infelizmente tivemos esses vândalos, herança do Eurico Miranda, de 2004, quando fomos jogar uma das finais do campeonato daquele ano e fomos muito mal tratados", disse. Segundo ele, os vascaínos agiram de forma premeditada. "Foi de forma premeditada para que o jogo não terminasse", afirmou.

Com relação aos atleticanos, o dirigente criticou a postura da torcida em eventos anteriores. "Temos que pensar definitivamente no problema da nossa torcida, que nos tirou da Vila Capanema (punição imposta por causa de tumultos em jogo contra o Coritiba). Se nós precisarmos dessa torcida, principalmente organizada, para ganharmos um jogo, é melhor irmos para casa, é preciso dar um basta", criticou.