O destravamento do comércio bilateral automotivo entre Brasil e Argentina deve ocorrer na próxima terça-feira (29), dando mais fôlego ao setor. Na ocasião, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, se encontrará com representantes do governo do país vizinho e de montadoras nacionais, em Brasília.
 
Segundo o ministro, a expectativa é a de que também seja anunciado um plano de financiamento das exportações conjunto.

As informações foram dadas nessa sexta-feira (25), em encontro realizado com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). “Minas Gerais possui complexo automotivo forte e será beneficiada”, disse o ministro.
 
Para o presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, a linha de financiamento chega em bom momento. “O setor não está tão bem. A Mercedes Benz, por exemplo, tem se adequado ao mercado, com férias coletivas. E o mercado não tem respondido porque faltam condições de financiamento”, afirma o presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior.
 
Além do financiamento, o governo argentino quer compromissos explícitos de parceria, conforme apontou o ministro. Como exemplo, ele cita a necessidade de maior comprometimento das montadoras nacionais em importar maior quantidade de sistemas montados e peças do país vizinho. “A proposta deles, que nós concordamos, é a de que as montadoras dos dois lados assumam compromissos para destravar o comércio”, afirmou Borges.
 
Portas fechadas

O encontro do ministro com representantes da indústria mineira, a portas fechadas, durou cerca de duas horas e meia. De acordo com gerente de Estudos Econômicos da Fiemg, Guilherme Leão, na reunião foram tratados assuntos gerais que dizem respeito à indústria, mas nenhum compromisso foi firmado.
 
“O encontro foi positivo. Os setores apresentaram seus principais desafios. Sentimos que o ministro se empenhará em ajudar os empresários”, avaliou Leão.
 
Antidumping

O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas de Minas Gerais, (Sindimalhas-MG), Flávio Roscoe, foi um dos participantes que expuseram as incertezas com relação à política econômica.
 
Segundo ele, um grupo de empresas do setor vai protocolar, no próximo dia 30 de abril, um pedido de que seja tomada medida antidumping pelo governo brasileiro contra as importações de poliéster chinês. Roscoe denuncia que os chineses têm vendido roupas de poliéster ao Brasil com preços abaixo do custo de produção.
 
Hoje, os produtos asiáticos respondem por 55% do mercado nacional de tecidos de fibras sintéticas. Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo são os principais produtores e, portanto, os mais prejudicados. “O estudo levou oito meses para ser elaborado. Esperamos que o governo tome alguma atitude”, comenta.
 
A expectativa do presidente do Sindimalhas-MG é a de que haja uma sobretaxa na importação do produto. O índice, no entanto, não foi informado. “A taxa será decidida por uma equipe de técnicos”, diz.
 
O ministro avaliou o encontro de forma positiva. “Foi uma conversa boa, mineira, regada a café e pão de queijo”, comentou.