Um dos personagens mais emblemáticos e cultuados da mitologia grega é Hércules. Filho de um deus (Zeus) e uma mortal (Alcmena), o semideus ganhou ainda mais notoriedade após realizar 12 trabalhos que só poderiam ser efetuados por alguém que tivesse força sobre-humana. Ao fim de sua jornada, foi elevado à condição divina.

Fazendo um paralelo com o futebol, Fábio pode ser considerado uma figura hercúlea no Cruzeiro. Jogador que mais vezes atuou com a camisa celeste (841 partidas) –, ele passou por várias provações, superou adversidades, operou “milagres” e, desde que virou titular, foi crucial para 11 conquistas oficiais do clube – sete Mineiros, duas Copas do Brasil e dois Brasileiros. E ainda há quem diga que o goleiro não é o maior atleta da história da Raposa – ou um dos maiores.

Talvez ainda falte ao arqueiro concluir a “12ª tarefa”, como ocorreu com Hércules. Para o mito grego, a prova final era domar e capturar Cérbero, um cão de três cabeças, guardião dos portões do mundo subterrâneo. A Fábio, seria ganhar uma Libertadores. A saga pelo inédito título continua nesta terça-feira (23), a partir das 19h15, contra o River Plate, no Monumental de Núñes, pela ida das oitavas de final desta edição, no dia em que o camisa 1 completará seu 80º duelo no torneio, pelo clube azul e branco.

Uma década atrás, esse “trabalho” poderia ter sido antecipado e, hoje, Fábio estaria comemorando a glória com um lugar único no panteão celeste. No entanto, a derrota para o Estudiantes, em plena morada cruzeirense, o Mineirão, adiou esse sonho. De lá para cá, novas oportunidades emergiram para Fábio e companhia. Em nenhuma delas, porém, obtiveram sucesso.

Um dos motivos para o arqueiro se inspirar na construção de mais um capítulo heroico em sua mitologia é a busca por mais um recorde. Atleta que mais vezes entrou em campo pela Raposa na Libertadores – 79 até o momento –, o camisa 1 segue à “caça” de Rogério Ceni, goleiro brasileiro com maior número de jogos na história da competição, com 90 embates disputados. Vencer esta edição seria um “novo” ápice de Fábio e o colocaria muito perto de bater o recorde do ex-são-paulino na próxima temporada.

Seria exagero imaginar que o Cruzeiro e seu recordista de partidas poderiam erguer o troféu de campeão desta Libertadores? Por tudo aquilo que o time celeste passou na Era Fábio, não! Para isso, é essencial que os comandados de Mano Menezes façam um bom jogo nesta noite para iniciar bem a batalha contra o River Plate. Daí em diante, veremos se Fábio será alçado de vez ao topo do Olimpo estrelado.

Favoritismo?

O Cruzeiro tem a vantagem de decidir em casa a vaga para as quartas de final da Copa Libertadores, por ter feito campanha superior ao oponente na fase de grupos. O time celeste obteve a segunda melhor campanha na etapa anterior, atrás apenas do Palmeiras. Até aqui, a Raposa computa cinco vitórias e uma derrota. A partida de volta está marcada para a próxima terça-feira (30), às 19h15, no Mineirão.

Historicamente, o Cruzeiro leva vantagem no confronto com os argentinos. Em 14 jogos, houve dez vitórias dos azuis e quatro triunfos do River Plate.

RIVER PLATE X CRUZEIRO

Motivo: jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores
Local: Estádio Monumental de Nuñes, em Buenos Aires
Horário: 19h15
Arbitragem: Julio Bascuñan, auxiliado por Christian Schiemann e Claudio Urrutia, todos chilenos
VAR: Piero Maza (Chile)
Transmissão: SporTV

RIVER PLATE
Armani; Montiel, Martínez Quarta, Javier Pinola e Angileri; Pérez (Ponzio); Ignacio Fernández, Exequiel Palacios e Nicolás De La Cruz; Álvarez (Lucas Pratto) e Matías Suárez. Técnico: Marcelo Gallardo

CRUZEIRO
Fábio; Orejuela, Dedé, Léo e Egídio; Henrique, Lucas Romero (Ariel Cabral), Robinho, Thiago Neves (Jadson) e Marquinhos Gabriel; Pedro Rocha. Técnico: Mano Menezes