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Numa entrevista, Carlos Alberto Torres, lateral-direito do grande Santos de 1966, disse que antes da primeira partida da decisão da Taça Brasil daquele ano contra o Cruzeiro, no Mineirão, o técnico Lula passou a seguinte orientação ao grupo na palestra pré-jogo: “O time deles é jovem, empolgado, vai querer vir para cima no início, então vamos segurar, uns 15, 20 minutos, depois a gente vai para o jogo”.

Com 20 minutos, o Santos, de Pelé, que buscava o hexacampeonato em sequência da Taça Brasil, já era goleado por 3 a 0 pelo Cruzeiro. O placar final foi 6 a 2, com o grande time de Raul, Pedro Paulo, William, Procópio, Neco, Piazza, Dirceu Lopes, Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira mostrando ao Brasil que existia futebol de qualidade fora do eixo Rio-São Paulo.

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Tostão busca a bola na rede santista após mais um dos seis gols do Cruzeiro nos 6 a 2 sobre o Santos, no Mineirão, no primeiro jogo entre os dois clubes pela decisão da Taça Brasil de 1966

A decisão da Taça Brasil de 1966 era disputada numa melhor de três, com o vencedor precisando ganhar duas partidas. O saldo de gols não era considerado.
Mas os empolgados meninos cruzeirenses não ligaram para isso. E impuseram ao grande Santos, de Pelé, um dos maiores vexames da sua história, pois o time comandado por Airton Moreira engoliu o adversário.

A intensidade de jogo foi tão grande, e o primeiro tempo, principalmente, espetacular, que o Cruzeiro foi para o vestiário com um 5 a 0 no placar, numa das maiores partidas da história do clube.

A FICHA DO JOGO

CRUZEIRO 6
Raul; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira

SANTOS 2
Gilmar; Carlos Alberto Torres, Mauro, Oberdan e Zé Carlos; Zito e Lima; Doval, Pelé, Toninho e Pepe. Técnico: Lima

DATA: 30 de novembro de 1966
ESTÁDIO: Mineirão
CIDADE: Belo Horizonte
MOTIVO: Primeira partida da decisão da Taça Brasil de 1966
GOLS: Zé Carlos (contra), a 1, Natal, aos 5, Dirceu Lopes, aos 20 e 39, e Tostão, aos 42 minutos do primeiro tempo; Toninho, aos 6 e 9, e Dirceu Lopes, aos 27 minutos do segundo tempo
ARBITRAGEM: Armando Marques, auxiliado por Joaquim Gonçalves e Euclides Borges
CARTÃO VERMELHO: Procópio (Cruzeiro); Pelé (Santos)
PÚBLICO: 77.325
RENDA: Cr$ 223.314.600,00