Surfista desde os 12 anos de idade e apaixonado por esportes radicais, Fellipe Lima Kizu quase teve que parar de fazer o que mais ama devido a um acidente. Quando tinha 18 anos, o mineiro de Belo Horizonte dormiu no parapeito da casa de um amigo e caiu, o que o fez fraturar a coluna em três vértebras e ficar paraplégico. Aos 28 anos, Fellipe deu a volta por cima e se tornou o legítimo ‘mineirinho’ campeão mundial de surfe.

Até chegar aos títulos no surfe, Fellipe conviveu com as dúvidas sobre o seu futuro como esportista. “Não tinha ideia do que ia acontecer depois do acidente. Não sabia se poderia praticar esportes, até conhecer coisas novas, como remar de caiaque. Descobri que dava para surfar de caiaque sem problemas”, conta Fellipe.

Com o caiaque ou waveski – prancha com assento –, Kizu conquistou diversos títulos nacionais e sul-americanos, e também o primeiro Mundial de Surf Adaptado, em setembro do ano passado na Califórnia, Estados Unidos. Para Fellipe, o título é mais do que uma medalha. “É uma sensação de dever cumprido e sonho realizado”, disse.

Atualmente morando no Rio de Janeiro, Fellipe se prepara para os próximos desafios. Em agosto acontece o Mundial de waveski em Portugal, um mês depois o mineiro vai lutar pelo bicampeonato Mundial de Surf Adaptado. Porém, Fellipe esbarra na falta de investimentos.

“As vezes tenho dificuldade para ter acesso às praias e para carregar o meu material de trabalho, mas nisso os meus amigos ajudam. O grande entrave, no entanto, é a falta de patrocínios. Já deixei de participar de campeonatos por causa da falta de investimento, mas trabalho para bancar pelo menos algumas competições”, afirmou o esportista.

Fábrica de parafinas

As dificuldades não abalam Fellipe, que respira o surfe. O mineiro tem uma fábrica de parafinas para prancha e surfa todos os dias. “Só não caio na água quando não tem onda. O meu objetivo é divertir. A vida que eu quero é o surfe. E depois penso em ganhar o máximo de mundiais possíveis”, finalizou.


(*) Colaborou Mateus Marotta