Acabou a folga. E mesmo com a Copa América ainda como atração, começa a crescer a ansiedade para um mês desaconselhado para cardíacos, sejam eles celestes ou alvinegros.

Afinal, passada a disputa pelo título entre as seleções, o mês que vem se inicia, para os rivais mineiros, com o clássico valendo vaga nas semifinais da Copa do Brasil e, de ‘brinde’, uma premiação de R$ 6,7 milhões que fará bem aos dois cofres. Primeiro (dia 11) no Mineirão para, seis dias depois, a definição no Independência. Ordem invertida à do encontro de 2014, que fez história ao opor Galo e Raposa pelo título, que acabou com a equipe de Lourdes.

Para as duas equipes, vindas de uma sequência pesada de jogos e competições desde o início do Mineiro, a parada foi mais que bem-vinda – permite a recuperação física de quem vinha próximo da exaustão e dá, aos dois treinadores, a chance de contar com os respectivos grupos próximos da melhor condição.
Não só no duelo pela Copa do Brasil, mas também nos respectivos desafios por Libertadores e Sul-Americana, será fundamental contar com a força máxima.

Opostos
Se há algo que vai diferenciar os times na intertemporada, trata-se do ambiente e do fator psicológico.

Depois de um momento turbulento que culminou com a demissão de Levir Culpi e a eliminação na fase de grupos da Libertadores, o Atlético conseguiu se reinventar sob o comando de um cada vez menos interino Rodrigo Santana.

O jovem treinador deu um padrão de jogo à equipe; recuperou o futebol de jogadores que vinham devendo e criticados pela torcida – Chará e Patric os dois principais exemplos –, além de mostrar tato para lidar com a queda de rendimento de Ricardo Oliveira e dar espaço ao jovem Alerrandro.

O resultado é uma equipe que segue na zona de classificação para a competição internacional (em quinto), eliminou o Santos no Pacaembu para avançar na Copa do Brasil e tem boa perspectiva também na Sul-Americana, diante do Botafogo.

Já na Toca da Raposa II, o desafio é recuperar um futebol que valeu o título estadual e a segunda melhor campanha na fase de grupos da Libertadores. Mas que, sem explicação lógica, vem de sequência de nove jogos sem vitória; da incômoda presença na zona do rebaixamento do Brasileirão e de uma classificação dramática na Copa do Brasil, diante de um rival tecnicamente inferior e desfalcado (o Fluminense).

Para boa parte da torcida, aliás, o período de folga foi exagerado diante da necessidade de corrigir os erros e o alto nível de setores que eram referência, como a defesa, hoje a pior do Brasileirão (ao lado do tricolor carioca).

Crise
Além disso, é difícil não deixar que a complicada situação extra-campo do clube não respingue no dia a dia dos atletas. A atual diretoria é acusada de irregularidades na gestão do clube; a dívida deu um salto significativo e parceiros tentam, na Justiça, obter percentuais a que têm direito por negociações.

A possibilidade de saída de jogadores nos próximos dias é concreta e propostas por atletas com boa parte dos direitos vinculados à equipe do Barro Preto praticamente irrecusáveis – o zagueiro Murilo puxou a fila, com a transferência para o Lokomotiv-RUS, por 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 10,8 milhões).

MARATONA

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