“Simplesmente incrível Nadal e Federer em mais uma final de Grand Slam!!! Dois gigantes, gênios”. Difícil discordar, quando o autor da frase não fica atrás dos personagens citados. Foi assim que Gustavo Kuerten, o Guga, resumiu a final do Aberto da Austrália, amanhã, às 6h30 (de Brasília), na Arena Rod Laver do Melbourne Park. Se o confronto entre o espanhol e o suíço era sonhado pelos amantes do esporte, parecia pouco provável diante da trajetória recente de dois dos melhores tenistas da história, e da força de rivais como Novak Djokovic e Andy Murray.

O suíço de 35 anos, recordista de conquistas de Slams (17 ao todo), não sabe o que é levantar o troféu de campeão de um dos torneios mais importantes do circuito desde Wimbedon-2012. 

Mais do que isso, foi obrigado a abrir mão do sonho de mais um ouro olímpico no Rio e comprometer o segundo semestre do ano passado para se recuperar de uma contusão no joelho. “Não quero correr o risco de voltar e ter de encerrar a carreira em seis meses. Pretendo jogar ainda por dois ou três anos”, disse, à época. E chegou a Melbourne apenas como 17º do mundo, diante de uma chave complicada.

Situação não muito diferente da enfrentada pelo rival. O tenista de Maiorca também vinha sofrendo com as contusões e não conseguia reeditar seu melhor tênis – o jejum de Slams vem desde Roland Garros-2014. Sem se preocupar com as cobranças e em paz consigo mesmo, no espaço de um ano ele passou do jogador eliminado na primeira rodada para um finalista do torneio que venceu em 2009.

Rafael Nadal

Espanhol não acreditava que chegaria à final

BATALHA
E se restava dúvida sobre a condição de Nadal, ela acabou desfeita na semifinal diante do búlgaro Grigor Dimitrov. Foram quase cinco horas de uma batalha decidida em detalhes, e em que a paciência do espanhol acabou fazendo a diferença para garantir a vitória por 3 a 2 (6-3, 5-7, 7-6 (7/5), 6-7 (4/7) e 6-4). “É um privilégio para mim fazer essa final com Roger, acredito que será especial também para o público. Sinceramente cheguei a pensar que não faria mais uma decisão aqui, estou muito feliz, e sou um cara de sorte”, resumiu. 

Devido ao melhor retrospecto do espanhol no saibro, o retrospecto no confronto o mostra em vantagem: 23 vitórias em 34 jogos, incluindo a final do torneio australiano em 2009. No último encontro, no entanto – com título em jogo –, o suíço levou a melhor, para levantar o troféu de campeão no ATP de Basel-2015. Nenhuma dúvida de que será mais uma página inesquecível da história do esporte escrita do outro lado do mundo.