Uma batalha muito mais emocional que racional toma conta da maior rivalidade do futebol sul-americano que é a comparação entre Pelé e Maradona, que morreu no final da manhã desta quarta-feira (25), em Tigres, na Grande Bueno Aires, vítima de uma parada cardiorrespiratória.

Nem sempre foi assim. No início da história de Diego Armando Maradona com a camisa 10 da seleção argentina, seu rival, e logo depois também se percebeu que era uma disputa mais emocional que racional, era Zico, que viveu no final dos anos 1970, quando surgiu o craque argentino, e início da década de 1980 seu auge no futebol, defendendo o Flamengo e o Brasil.

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Quando o Galinho duelou com Maradona nos gramados italianos, nas partidas entre a sua Udinese e o Napoli, clube do Pibe de Oro, já estava evidente que a comparação entre eles também era muito mais emocional que racional. E o argentino nem tinha ainda conduzido seu país ao título mundial de 1986.

A verdade é que desde 2 de agosto de 1979, quando Maradona disputou sua 11ª partida pela seleção da Argentina, a primeira contra o time Canarinho, quando foi derrotado por 2 a 1, no Maracanã, pela Copa América, ele sempre foi assunto no duelo, mesmo sem estar em campo.

Este duelo direto aconteceu poucas vezes. Apenas seis das 91 partidas do craque argentino pela seleção do seu país foram contra o Brasil.

O interessante dessa história é que Maradona venceu apenas uma vez. E este jogo é o mais marcante. Nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1990, na Itália, Brasil e Argentina se enfrentaram. O favoritismo era todo brasileiro, apesar de os rivais defenderem o título mundial conquistado quatro anos antes, no México.

E da genialidade de Maradona nasceu o gol argentino, marcado por Caniggia aos 35 minutos do segundo tempo, após o camisa 10 deixar para trás três marcadores.

Esta partida ficou famosa depois que o craque, quando já tinha parado de jogar e tinha um programa de televisão na Argentina, revelou que tinha preparado uma água "batizada" para ser oferecida aos brasileiros caso eles pedissem água ao massagista argentino numa entrada em campo para o atendimento de jogadores.

E o lateral-esquerdo Branco pediu água ao massagista argentino, e relatou, após a partida, que depois de beber o líquido tinha ficado estranho em campo.

Histórico

Este foi o segundo duelo de Maradona com o Brasil em Copas. Em 1982, os dois países se enfrentaram num dos triangulares das quartas de final, e o grande time dirigido por Telê Santana venceu por 3 a 1, eliminando da competição a Argentina.

Antes deste jogo em gramados espanhóis, Maradona marcou seu único gol sobre a Seleção Brasileira em 4 de janeiro de 1981, num empate por 1 a 1, no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelo Mundialito.

O jejum do Pibe de Oro diante do Brasil aumentou em 12 de julho de 1989, quando perdeu por 2 a 0, no Maracanã, em dia de show de Romário e Bebeto, pelo quadrangular decisivo da Copa América.

Após vencer a única partida contra a Seleção Brasileira em 1990, na Copa da Itália, Maradona encarou o time canarinho pela última vez em 18 de fevereiro de 1993, na sua 80ª partida pela Argentina, num amistoso que comemorou o centenário da Associação Argentina de Futebol (AFA).

O confronto foi no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e terminou empatado por 1 a 1.

No ano seguinte, Maradona encerrou sua história na seleção Argentina na Copa dos Estados Unidos, quando foi suspenso por doping. Mas seguiu a discussão sobre quem foi melhor: Pelé ou Maradona?

Nesta quarta-feira, pelo Twitter, Pelé se despediu de Maradona. E na curta mensagem, mostrou que a batalha de quase quatro décadas foi desnecessária: “Que notícia triste. Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda. Ainda há muito a ser dito, mas por agora, que Deus dê força para os familiares. Um dia, eu espero que possamos jogar bola juntos no céu”.

Gênios não se compara. Gênios, se admira. Se Pelé tem como desejo um dia jogar bola com Maradona no céu, a disputa não faz mais sentido.