Desde 2003 há uma regra para ser campeão brasileiro: marcar dois pontos por jogo. Para levantar a taça em 2015, o Atlético vai ter que acabar com essa máxima, pois o Galo só chega ao título se ultrapassar os 76 pontos após as 38 rodadas. A outra opção é contar com o imponderável, pois precisaria de uma queda absurda do Corinthians, com o seu aproveitamento, que atualmente é de 73%, despencando para menos de 33%.

“Já tinha dito que para Atlético ou Grêmio disputarem o título haveria dois times com uma pontuação absurda. O Corinthians tem uma campanha para marcar mais de 80 pontos. É uma equipe que tem a chance de quebrar recordes. Para ser campeão, além de contar com uma queda corintiana, o Galo deve precisar de 100% de aproveitamento nas seis rodadas finais”, afirma Gilcione Nonato Costa, professor do Departamento de Matemática da UFMG e um dos responsáveis pelo site Probabilidades no Futebol.

A opinião é parecida com a do engenheiro gaúcho Tristão Garcia, criador do site Infobola.

“Se for campeão, o Atlético quebra a máxima de que dois pontos por jogo são suficientes para a taça. Não é proibido ganhar todos os jogos, embora não acredite nisso, mas a tarefa atleticana é mesmo desafiar as leis das probabilidades”, comenta Tristão.

Exemplos

Nas 12 edições anteriores por pontos corridos, a máxima dos 66,7% de aproveitamento nunca falhou. Aliás, metade dos campeões nem conseguiu alcançar essa marca. Isso aconteceu em 2004 (Santos – 64,4%), 2005 (Corinthians – 64,5%), 2008 (São Paulo – 65,8%), 2009 (Flamengo – 58,8%), 2010 (Fluminense – 62,3%) e 2011 (Corinthians – 62,3%).

A campanha atleticana é tão boa que o time de Levir Culpi tem aproveitamento superior a cinco desses seis campeões, pois conquistou 64,6% dos pontos e só fica atrás do São Paulo de 2008.

Tristão Garcia exalta essa campanha, mas também o azar dela acontecer num ano em que o Corinthians está sobrando, história parecida com a de 2012: “O Atlético tem um futebol bonito, ofensivo, só peca pelas falhas defensivas. Se fosse outro ano, seria campeão. O problema é que o Corinthians está bem demais. Com uma campanha de 50% na reta final, que é marca de G-8, chega aos 79 pontos e obriga o Galo a ser 100%, o que é difícil neste momento”.

As palavras de Tristão Garcia são explicadas pelos cálculos de Gilcione. Segundo o professor da UFMG, o Corinthians tem 62% de chances de fazer 78 pontos ou mais, o que obrigaria o Atlético, que só pode chegar a 80, a ter 100% de aproveitamento.

Ultrapassar os 80 pontos, o que significa tirar qualquer possibilidade do Galo, tem 40% de chances de acontecer.

“O hino surge como o lema do Atlético. Nunca vencer, vencer, vencer, foi tão importante. E mais do que ganhar, o time vai precisar contar com o imponderável. Mas não podemos dizer que é impossível, pois as chances existem. Só que a vantagem precisa ser tirada antes da última rodada, pois o Corinthians encerra o Brasileiro recebendo o Avaí”, analisa Gilcione Nonato.

Para quem viveu nos últimos anos conquistas carregadas de dramaticidade, com certeza não são números que vão calar o grito “Eu Acredito!”.

Galo tem a missão de transformar menos de 5% de chances em conquista da taça