Os principais clubes de futebol da Europa garantem que não têm planos para criação de uma Super Liga com a participação deles para substituir a Liga dos Campeões. "Não estamos projetando nada no momento", disse o vice-presidente da Associação de Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês), Umberto Gandini, depois de uma reunião com a participação dos 143 membros, nesta terça-feira.

Os próprios clubes que compõem a ECA, porém, ajudaram a alimentar as recentes especulações sobre um "torneio separatista" ou de que a Liga dos Campeões passe a dar vagas para grandes times que não consigam a classificação por mérito.

A incerteza também surge no momento de discussão com a Uefa sobre a mudança das regras e do formato de disputa da Liga dos Campeões e da Liga Europa para o período entre 2018 e 2021. Gandini disse que haverá um processo de "seis a nove meses" para definições antes de a Uefa começa a negociar os direitos comerciais para esses novos períodos.

A situação, porém, se torna ainda mais indefinida pela situação das lideranças da Uefa, com o presidente Michel Platini suspenso e o secretário-geral Gianni Infatino em campanha para a eleição presidencial da Fifa, marcada para 26 de fevereiro.

"Nossos contatos não estão continuamente presentes como era antes", disse Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon, que expressou seu apoio a Platini contra a suspensão de oito anos do futebol imposta pela Fifa.

A Liga dos Campeões vem sendo um grande sucesso comercial, com a Uefa dividindo 1,257 bilhões de euros (aproximadamente R$ 5,522 bilhões) entre os clubes pelas próximas três temporadas. Apesar disso, gigantes como Milan, Inter de Milão e Manchester United, que foram campeões na década passada, ficaram fora de edições recentes do torneio.

Mas se os clubes europeus estão abertos a mudar a Liga dos Campeões, eles querem que a Copa do Mundo permaneça sendo um evento de 32 equipes. O ECA reafirmou, nesta terça, a sua oposição a um torneio de 40 equipes, como foi proposto por Infantino. "Isto não é algo muito atraente para nós", disse Gandini, que também é diretor do Milan.

Apesar dessa diferença de posição em relação a Infantino, a ECA deu seu apoio ao dirigente na eleição presidencial da Fifa e pediu que os clubes tenham "papel ativo e construtivo" nas futuras decisões da entidade.