O volante Gilberto Silva resolveu falar sobre o processo judicial que move contra o Atlético. Na primeira audiência entre as partes, realizada nessa terça-feira (2), na 1ª Vara da Justiça do Trabalho de Belo Horizonte, não houve acordo.

 

Pelo o que consta na ata da audiência, publicada pela juíza Paula Borlido Haddad, Silva passará por uma perícia médica para ser avaliado e provar que realmente tem razão ao dizer que o tratamento realizado no joelho, quando ainda estava no clube, o prejudicou posteriormente.

 

Nesta quinta-feira, o advogado do ex-jogador alvinegro, Fábio Cruz, e o atleta divulgaram uma nota oficial, na qual dão suas versões sobre o caso.

"Gilberto entrou com ação contra o Atlético um ano e um mês depois do fim do contrato. Nesse período, tentou diversas vezes conversar com dirigentes e funcionários com algum grau de responsabilidade de gestão no Atlético para tratar da situação da lesão que ele sofreu quando ainda era empregado do time e continua até hoje.

O questionamento do Gilberto não era financeiro, tanto que no processo ele pede que seja reconhecida a incapacidade para o trabalho, depois a nulidade da rescisão até que ele esteja novamente capacitado para o trabalho e, por último, caso nada disso seja feito, que então ele seja indenizado pelos prejuízos sofridos.

O Gilberto fez uma cirurgia no Atlético, depois de uma lesão ocorrida em um jogo contra o Cruzeiro. Ele machucou em um lance no primeiro tempo e jogou toda a partida. Fez a recuperação após a cirurgia, mas, no final, sofreu infiltração por recomendação médica e jogou sob efeito desse medicamento no Brasileiro. Fez algumas punções e voltou a ser infiltrado no Marrocos. Quando voltou a treinar se preparando para a temporada 2014 voltou a sentir uma semana após o início dos treinos. Gilberto teve que fazer nova cirurgia, no mesmo local e pelos mesmo motivos que tinha feito a anterior. Nesse caso, ele já não estava mais no clube e fez a cirurgia por conta própria.

O que está sendo buscado na Justiça agora, e vai ser respondido com o laudo que a juíza mandou fazer no processo é se o tratamento foi adequado, se ele estava plenamente recuperado quando o contrato terminou, ou se, como já ocorreu com outros dois atletas do mesmo Atlético, como Bilu e Marcos (zagueiro), ele também vai ficar incapacitado para o trabalho depois que encerrar o contrato. Bilu que também fez infiltrações, e tirava até 35 ml de líquido do joelho depois de cada partida, celebrou três contratos de três meses com outros clubes (Coritiba, Ponte Preta e Figueirense) mas não conseguiu cumprir nenhum deles. Marcos, que jogou sob efeito de analgésico por oito meses, com uma fratura na coluna ficou afastado pelo INSS por 05 anos depois que terminou o seu contrato e nunca mais pôde praticar o esporte. Na mesma época que Gilberto, o zagueiro Rever que era da seleção brasileira, também fez cirurgia e até hoje não voltou a ser titular nas equipes onde jogou.

O que o Gilberto buscou por um ano depois que saiu do Atlético era obter ajuda para recuperação da sua aptidão para o trabalho. Por falta de canal de comunicação com o Clube, buscou na Justiça o mesmo caminho, como consta até mesmo da lista de pedidos que a imprensa tem publicado. Primeiro pediu o reconhecimento da incapacidade, depois pediu a nulidade da rescisão, a reintegração ao grupo, afastamento pelo INSS, suspensão do contrato até que ele recupere a condição de jogo e só depois é que pediu algum tipo de ressarcimento. Isso desmente tudo que está sendo dito pelo Atlético que começa a narrar a história a partir do primeiro valor requerido e omite toda a "esperteza" que está por trás de pegar um atleta em condição de ser titular do time e o colocar na rua como incapacitado para o trabalho.

No entanto, na Justiça, a única forma de ressarcir um dano é com o pedido de indenização!", finaliza o Dr. Fábio Cruz, advogado do atleta.

Gilberto Silva também esclarece que "no início de 2014 quando comecei a treinar na segunda semana de janeiro, depois de uma semana de corridas, voltei a sentir dores no mesmo joelho operado. Diante disso fiz um exame de ressonância magnética e apresentei esse exame a quatro médicos. Entre eles, apresentei ao Dr. Runco que era médico da Seleção Brsileira e, por último, ao Dr. Rodrigo Lasmar. Após isso, tive uma reunião com o Alexandre Kalil, então Presidente do Atlético, e saí da Sede do Atlético com uma reunião marcada com a presença minha, dele e do Departamento Médico do Atlético. Essa reunião foi desmarcada, não tive mais retorno e não consegui falar com ele. Após isso, tive que tomar providências e realizar minha cirurgia por conta própria, pois caso contrário, estaria esperando até hoje. Também realizei e realizo a reabilitação por conta própria e depois conversei com o Eduardo Maluf, Diretor de Futebol, quando o Atlético estava viajando para jogar contra o Chapecoense pelo Brasileiro 2014. Expliquei toda a situação ao Maluf e ele ficou de conversar com o Kalil e me dar uma resposta no final da semana porque eles estavam viajando. Até hoje não obtive resposta, apesar dele ter se encontrado comigo na entrega do Prêmio do Troféu Guará da Rádio Itatiaia. Além disso, por várias vezes, em programas de TV que participei, antes mesmo de entrar na justiça, deixei claro que estava aberto para conversar com o Atlético sobre a situação e continuo aberto como sempre estive desde o início. Mas em nenhum momento eles se manifestaram e a qualquer hora que eles quiserem eu estou disposto para conversar com o Presidente, o Maluf ou o responsável para tratar do assunto e colocarmos um ponto final nessa história", relatou Gilberto Silva