Há 11 anos na Europa e oficialmente cidadão inglês, o goleiro Gomes, de 33 anos, em nada lembra o outrora tímido Heurelho da Silva, nascido em João Pinheiro, no Noroeste de Minas Gerais. Com o passar do tempo e com a convivência intensa com os ingleses, o camisa 1 do Watford, da Segunda Divisão, já habituou-se à cultura europeia. Tanto que a pontualidade é uma das características que adquiriu.

A noção de tempo fez com que o goleiro percebesse que talvez tenha chegado a hora de retornar ao futebol brasileiro. “Acho que está chegando o momento de pensar numa volta ao Brasil. Se for para o Cruzeiro, melhor ainda”, admite o goleiro em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, por telefone. “Sou cruzeirense, como todo mundo sabe. Mas o Fábio não dá espaço para ninguém”, ressaltou, às gargalhadas.

Pelo Cruzeiro, Gomes conquistou a Copa Sul-Minas, em 2001 e 2002, além do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, em 2003, e três Estaduais. Ele conta ter recebido várias propostas para voltar ao Brasil, inclusive do maior rival da Raposa. “Fui procurado por eles (Atlético) em 2012, antes de o clube fechar a contratação do Victor”, afirma. Porém, o goleiro achou que não era o momento certo de deixar o Velho Continente.

Após deixar o Cruzeiro, em 2004, o recém-casado Gomes se transferiu paro PSV Eindhoven, da Holanda, pelo qual atuou por quatro anos. Em 2008, foi vendido ao Tottenham, da Inglaterra, no qual foi titular por duas temporadas. Defendendo o clube inglês, ele foi convocado para a Seleção Brasileira para a Copa de 2010, na África do Sul.

Foi na Inglaterra que Gomes e a esposa Flávia Soares tiveram os filhos Flávio Henrique, de 9 anos, e Luiz Felipe, de 7. “É claro que eles falam um pouco do português, mas a língua oficial aqui em casa é o inglês”, destaca o camisa 1.

Sócia em uma empresa de marketing digital, Flávia tem como clientes o volante Sandro, do Queens Park Rangers; o meia Gareth Bale, do Real Madrid; Diego Tardelli, que defendeu o Atlético e se transferiu para a China, e vários outros atletas.
lesão

Emprestado em 2013 para o Hoffenheim, da Alemanha, Gomes não teve muita sorte. Atuando apenas em nove partidas, ele sofreu lesão na mão e teve de retornar à Inglaterra para se tratar. “O legal é que tiramos a equipe (Hoffenheim) do último lugar e permanecemos na Primeira Divisão. Cheguei num dia e no outro já estava jogando”, conta o brasileiro.

De volta à Inglaterra, o goleiro perdeu espaço no Tottenham e mesmo despertando o interesse de outros clubes da Primeira Divisão, e até de outros países, não venceu a queda de braço com os dirigentes ingleses. “O Tottenham não me liberava, mesmo não me utilizando durante duas temporadas”, lembra o brasileiro. “Pediam 5 milhões de libras, me travando aqui”, completa.

Ao término do contrato, no meio do ano passado, Gomes assinou com o Watford por mais um ano. O acordo, portanto, está na contagem regressiva. “Estou numa divisão diferente, mas que é muito organizada. Os donos do clube são os mesmos da Udinese e do Granada. Eles querem subir o time para a elite e foi isso que me pediram quando assinei”, diz.