O Cruzeiro vivia há exatos 55 anos um dos momentos mais importantes da sua história. Na época não havia a dimensão do que estava acontecendo, mas pela primeira vez, numa partida contra o Uberaba, pelo Campeonato Mineiro, jogavam juntos, como titulares, Piazza, Tostão e Dirceu Lopes, o maior meio-de-campo que o futebol mineiro já viu em ação e que mudou os rumos da trajetória daquele que até então era o clube do Barro Preto.

O tripé, como ficou conhecido o trio, campeão da Taça Brasil de 1966 e penta do Mineiro, entre 1965 e 1969, nasceu por uma contusão de Ílton Chaves, que era o volante titular do time do técnico Marão.

Sem o jogador, ele lançou Piazza, que tinha chegado do Renascença, como o titular. E mudou o esquema 4-2-4 para o 4-3-3, criando assim o tripé no meio-de-campo.

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Por pouco, o famoso trio teve sua estreia como titular adiada. Tostão, com apenas 17 anos à época, não tinha sua presença garantida na partida. Assim como Ílton Chaves, que foi substituído por Piazza, o maior artilheiro da história cruzeirense sentia a coxa, mas se recuperou.

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Tostão, aliás, já chamava a atenção de outros clubes. Segundo a imprensa esportiva da época, olheiros do Santos indicaram à diretoria do clube a contratação do meia, que “já sonhava com os milhões” que ganharia ao lado de Pelé.

Também ao lado de Pelé esperava jogar Carlos Alberto, atacante e destaque do Uberaba. O confronto entre aqueles que possivelmente se transfeririam para o time do Rei também foi destaque nos jornais da época.

A história, no entanto, mostra o contrário e Tostão construiu praticamente toda sua vitoriosa carreira no Cruzeiro.

Apesar da vitória por 3 a 0, a atuação celeste não agradou a imprensa esportiva da época, que chegou a chamar a primeira metade do jogo, que terminou 1 a 0 para o Cruzeiro, de “pelada”, enxergando superioridade da equipe do interior.

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No segundo tempo, com destaque para o domínio da meia cancha estrelada, a Raposa teve maior controle do jogo e o grande destaque foi Tostão, que mesmo com os dois gols de Grandin, foi considerado pelos jornalistas o destaque da partida.

Curiosidade

Do lado Uberaba, além de Carlos Alberto, destque da equipe e cobiçado pelo poderoso Santos, outro jogador chamava atenção justamente pelo fato de não ser apenas o zagueiro titular do clube. Hermínio acumulava as funçoes de atleta e treinador do time do Triângulo Mineiro.

Ficha do Jogo

Cruzeiro 

Fábio; Raul Fernandes, Vavá, Dilsinho e Emerson; Piazza, Tostão e Dirceu Lopes; Gradim, Paulo e Hilton Oliveira.
Técnico: Marão

Uberaba

Armando; Canindé, Wilton, Hermínio e Efigênio; Marsenal, Lavéia e Valtinho; Cunha, Lacerda e Carlos Alberto.
Técnico: Hermínio

DATA: 9 de julho de 1964
LOCAL: Estádio do Barro Preto
MOTIVO: 2ª rodada do Campeonato Mineiro
GOLS:Paulo, aos 33 minutos do primeiro tempo; Gradim, aos 14,
e Paulo, aos 40 minutos do segundo tempo
ARBITRAGEM: Juan de La Passion, auxiliado por Jarbas pedra
e Jacinto Souza
PÚBLICO: 1.815
RENDA: Cr$ 803.100,00

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Colaborou Hugo Lobão