O Cruzeiro fazia o primeiro jogo da pior temporada de sua história há exatos dois anos. Embalado pelos "óculos futurista" do ex-presidente Wágner Pires - ele fez uma brincadeira prevendo que a Raposa seria tricampeã da Libertadores e campeã do mundo -, o time celeste derrotou o Guarani, em Divinópolis, por 3 a 1, com gols de Robinho e Raniel (2).

Vindo do bicampeonato da Copa do Brasil, nas duas temporadas anteriores, o técnico Mano Menezes e seus jogadores eram confiança total. Nos bastidores, Itair Machado, o "homem-forte" do futebol colecionava entrevistas que movimentavam a mídia local e nacional. Sempre muito seguro nas palavras, ele também alimentava no torcedor a certeza de dias inesquecíveis.

Contudo, veio o fiasco. Apesar do título mineiro sobre o rival Atlético, o Cruzeiro acabou eliminado nas oitavas de final da Libertadores, pelo River Plate, e das semifinais da Copa do Brasil, para o Internacional. O pior veio no Campeonato Brasileiro, com o rebaixamento para a Série B, após terem explodido sérias denúncias de corrupção envolvendo os principais dirigentes do clube.

Os lastros daquele ano ainda perduram na Raposa. Além da grave crise financeira, que só se agrava, o time não conseguiu o retorno à elite do futebol nacional e, no ano em que comemora 100 anos, terá que, mais uma vez, figurar na Divisão de Acesso da competição mais importante do país.