Casado, pai de dois filhos, comprometido dentro e fora das quatro linhas e com o futebol correndo nas veias e presente no DNA da família. Este é Yimmi Chará, colombiano que se tornou a maior contratação da história do Atlético; ele foi adquirido pelo clube em junho do ano passado, por aproximadamente R$ 23 milhões.

Com 57 partidas realizadas e sete gols marcados pelo alvinegro, “El Depredador” se mantém na equipe titular, escalada pelo técnico Rodrigo Santana, e, mesmo oscilando bons e maus momentos com a camisa preta e branca, tem a total confiança do comandante.

Nesta entrevista ao Hoje em Dia, o colombiano de 28 anos conta como foi o início no mundo da bola, fala do amor da família pelo esporte, comenta o período de adaptação ao futebol brasileiro, diz que o calendário foi uma das principais dificuldades para se firmar em terras tupiniquins e revela como são as semanas de clássicos contra o Cruzeiro.

Como começou sua vida no mundo da bola?

Bem, cara, estou jogando bola desde os cinco anos. Comecei numa escolinha. Jogava também na rua, mas eu e meus irmãos jogávamos mais na escola. Foi ótimo começar assim.

Como foi sua infância?

Difícil, mas o mais importante foi a família. Se ela estiver unida, para nós é alegria. Deixamos as coisas ruins de lado e vivemos o dia a dia com nossos pais nos apoiando a todo tempo. Meu pai era construtor, e minha mãe, dona de casa; ela, inclusive, gostava mais de futebol do que meu pai (risos).

Você tem dois irmãos que se profissionalizaram no futebol. O esporte está no DNA da família?

Não sei explicar, mas meus pais sempre gostaram muito de futebol. Meu pai não jogou profissionalmente, mas batia uma bola! Desde pequeno, nós três sempre tivemos como brinquedo a bola e gostávamos de jogar. A gana de fazer isso e a responsabilidade que criamos nos ajudam a encarar o dia a dia de treinos e partidas.

Seu filho Juan Pablo também já desponta como sucessor dos “Chará”. Tem futuro?

(Risos) Ele tem que fazer o que gosta e fazer muito bem. Sempre falei isso para ele. Hoje, aqui em Belo Horizonte, ele pratica esportes, mas não se dedica apenas ao futebol.

Sua primeira saída da Colômbia foi para defender o Monterrey, do México. Como foi aquela mudança de país?

Foi boa. Aprendi muito, apesar de não ter tido muitas chances de jogar. Depois, voltei para a Colômbia e fui para o Atlético Nacional; lá fui campeão. Retornei ao México para defender o Dorados por seis meses antes de voltar ao Monterrey. É bom sair do seu país, mas às vezes a adaptação é difícil. O campeonato mexicano é muito bom, com muitos times bons. Contudo, voltar para casa, perto da família, é demais.

Você tem fama de ser um jogador caseiro e tranquilo fora das quatro linhas. Como é a vida do Chará fora da Cidade do Galo?

Acho que a família ajuda demais ao jogador. Meus irmãos me ensinaram muito e sempre foram muito tranquilos. Tive a possibilidade de morar com os dois e optei por levar minha carreira dessa forma, assim como ambos.

Você está perto de completar 60 jogos com a camisa do Atlético (são 57 até agora). Como tem sido a adaptação em BH? 

Foi difícil, principalmente pela troca de calendários. Mas sempre fui um cara de trabalhar, e isso faz com que as coisas sejam mais fáceis. O idioma também foi complicado. A comida mineira é muito boa, e tem muitos pratos típicos que aprendi a gostar.

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E o torcedor atleticano? Ele é muito diferente dos outros clubes que você defendeu?

Sim! O torcedor do Galo sempre quer ganhar e é bastante apaixonado. Está sempre presente em bom número em todos os jogos, e isso faz bem demais para nós, jogadores.

Você foi a compra mais cara da história do clube. Isso gerou uma pressão maior nas suas costas?

Independentemente disso, o futebol envolve pressão. Com a experiência que possuo, já tenho um bom manejo disso. Estou há muito tempo jogando e consigo entender bem tudo isso que acontece fora do campo.

O Atlético vai encarar o La Equidad, em Bogotá, pelas quartas de final da Sul-Americana. A família estará toda presente ao estádio para te ver?

Claro! A família com certeza vai querer estar presente ao jogo, principalmente por estarmos muito longe uns dos outros. 

Você foi convocado pela primeira vez pelo José Pékerman em 2014. Agora, em 2018, esteve na pré lista para a Copa da Rússia. Ficou frustrado por não ter sido chamado para o Mundial de Seleções?

Sim. A frustração aconteceu. Como jogadores, nós sempre queremos disputar as competições mais importantes. É complicado dizer se eu esperava estar na lista, porque existem outros jogadores de qualidade em ótimos momentos, e estes foram convocados. São coisas que não estão nas minhas mãos; é importante saber ganhar e perder.

E a rivalidade com o Cruzeiro? Você vai para o sétimo jogo contra a Raposa. Já se acostumou com o clima na cidade nos dias de clássicos?

Já me acostumei. Fiz seis jogos e já entendo a rivalidade. A semana é especial, e vibramos de forma diferente quando encaramos o Cruzeiro. Vamos enfrentá-los e viver tudo isso novamente.

Como você definiria a importância do Atlético na sua vida?

Cara, é muito importante chegar a um clube grande como o Atlético. Todo jogador quer viver isso na carreira. Já passei por alguns clubes, mas por este estou apaixonado de verdade. Quero ficar aqui no Galo por muitos anos e conseguir coisas importantes para o Atlético e para minha carreira.
Você ainda não conquistou um título internacional. A Sul-Americana é sua chance?
Claro! Quero conseguir títulos internacionais, e temos uma grande possibilidade agora na Sul-Americana. Estamos conscientes disso e vamos fazer de tudo para chegar à final.

O Aristizábal chegou a te pedir no Barcelona e afirmar que você era melhor que o Philippe Coutinho. Como encarou essa declaração de um ídolo colombiano?

Vi isso (risos). O Ari foi um grande goleador e um jogador que deixou uma história muito grande na Colômbia. É muito bom saber que ele pensa assim de mim. Contudo, como jogador, prefiro não falar disso, por respeito e admiração ao Coutinho. Ele é um grande atleta.

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