Em 26 de agosto, Keno marcou o seu primeiro gol com a camisa do Atlético, decretando a virada por 2 a 1 sobre o Tombense, no Mineirão, na partida de ida da decisão do Campeonato Mineiro. Isso aconteceu aos 52 minutos do segundo tempo e abriu o caminho para a conquista do 45º título estadual do Galo, que se isolou ainda mais como o maior vencedor da competição, abrindo sete taças de vantagem sobre o rival Cruzeiro.

Quatro dias depois, o time de Jorge Sampaoli voltou a vencer a equipe da Zona da Mata, agora por 1 a 0, e comemorou no gramado do Gigante da Pampulha, pela 45ª vez, a conquista do Campeonato Mineiro.

Keno atacante Atlético hat-trick Grêmio Mineirão BrasileiroVivendo um momento iluminado, Keno se transformou na principal referência ofensiva do time de Jorge Sampaoli e foi decisivo na conquista do Campeonato Mineiro e na retomada da liderança do Brasileirão

Um mês após o gol sobre o Tombense, Keno fez história no Mineirão. Marcou o segundo kat-trick consecutivo nos 3 a 1 do Atlético sobre o Grêmio, em partida pela 11ª rodada da Série A, que é liderada de forma isolada pelo clube, com três pontos de frente sobre o segundo colocado Internacional.

O primeiro dos três gols do camisa 11 atleticano sobre o tricolor gaúcho foi badalado como sendo o de número 2.000 do Atlético no Campeonato Brasileiro, considerando-se a competição a partir de 1971.

Mas ela começou em 1959, com a Taça Brasil, segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que unificou os títulos nacionais em dezembro de 2010. E aí é que entra a relação com aquele gol de Keno que abriu o caminho para o 45º título atleticano no Campeonato Mineiro.

Isso porque se for seguida a lógica de considerar o primeiro gol de Keno contra o Grêmio como o 2.000 em Brasileirões, e não o de número 2.121 – foram 31 na Taça Brasil (1959, 1963, 1964 e 1967), e 90 na Taça de Prata (1967 a 1970) ¬–, as vitórias sobre o Tombense, há um mês, não garantiram ao Atlético o 45º título do Estadual, mas sim o 26º.

Lógica

A explicação é muito simples. Entre 1915 e 1957, é considerado campeão mineiro o clube que venceu o Campeonato da Cidade de Belo Horizonte, que além de clubes da capital contava ainda com equipes de cidades próximas, como Nova Lima, Sabará, Lagoa Santa, Sete Lagoas, Barão de Cocais.

Esses torneios existiam em outras regiões do Estado. Em 1933, ano do início do Profissionalismo em Minas Gerais, aconteceu a união dos Campeonatos da Cidade de Belo Horizonte e Juiz de Fora, numa competição que contou, além do Villa Nova, que foi o campeão, com América, Atlético, Palestra Itália, Retiro (Nova Lima) e Siderúrgica (Sabará), com Tupi, que foi vice, Tupynambás e Sport, esses três últimos da Zona da Mata. Na temporada seguinte, as duas competições se separaram.

Os Campeonatos da Cidade eram tão tradicionais, que o regulamento de 1933 previa, além do campeão geral, o de cada torneio regional, considerando-se apenas os resultados nos jogos contra os clubes da sua cidade ou região.

Assim, o Tupi foi o campeão de Juiz de Fora de 1933, e o Villa Nova de Belo Horizonte. Inclusive, a Federação Mineira de Futebol (FMF) comete um erro em não considerar um título a mais para o Leão do Bonfim na lista dos vencedores do Estadual, pois ele ganhou também o Campeonato da Cidade de 1933, que a entidade considera como o Campeonato Mineiro.

Em 1958, de fato, é disputado o primeiro Campeonato Mineiro, com a participação de equipes de outras regiões como o Guarani, de Divinópolis, Curvelo e Uberaba, com este número aumentando nas temporadas seguintes.

Por ser o mais tradicional e ter mantido regularidade, o Campeonato da Cidade de Belo Horizonte, que teve a primeira edição em 1915 vencida pelo Atlético, é considerado pela FMF como o Campeonato Mineiro.

A lógica da FMF de pegar a principal e mais regular competição de clubes do Estado e considerá-la como o Campeonato Mineiro, é a mesma da CBF de dar ao principal torneio nacional a partir de 1959 o caráter de Campeonato Brasileiro.

Assim, oficialmente, Keno ajudou o Atlético a vencer seu 45º título do Campeonato Mineiro e fez história diante do Grêmio não pelo gol 2.000, mas pelo segundo hat-trick seguido, algo inédito na história do Galo no Brasileirão, e isso, considerando-se desde 1959.