Em 8 de dezembro do ano passado, enquanto o Cruzeiro era derrotado pelo Palmeiras por 2 a 0, no Mineirão, resultado pela última rodada do Brasileirão de 2019 e que decretou a queda do clube para a Série B, no setor de camarotes do estádio Célio Lúcio, então treinador do sub-20 da Raposa, era cobrado por dois torcedores pela queda do clube e, emocionado, precisando ser contido por outras pessoas, batia no braço e dizia: “O Cruzeiro corre aqui nas minhas veias. Eu dei sangue por este clube e sou multicampeão aqui. Você acha que eu tenho culpa?”.

Célio Lúcio auxiliar técnico CruzeiroCélio Lúcio tem sua história como jogador do Cruzeiro marcada pela superação e por muitos títulos na década de 1990

Pouco mais de dez meses depois, o mesmo Mineirão será palco da única partida de Célio Lúcio como treinador do clube que o revelou. E onde ele brilhou, apesar de ter sido sempre coadjuvante, mas com desempenho de protagonista.

Sim, quem comandará o Cruzeiro na partida desta sexta-feira (16), contra o Juventude, às 21h30, no Gigante da Pampulha, pela 16ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, ajudou a construir a galeria de títulos do clube.

Em 1991, quando subiu para o time principal, fazia parte do grupo que venceu a Supercopa, mas não entrou em campo. Além de Paulão e Adilson, que formavam a dupla de zaga titular, só Vanderci, que foi seu companheiro na base e era apontado com um futuro mais promissor que o dele, foi acionado, mesmo assim em uma partida.

Trajetória

A partir de 2012, Célio Lúcio iniciou, dentro de campo, a trajetória que virou desabafo diante da cobrança dos dois torcedores em 8 de dezembro, no setor de camarotes do Mineirão. Foi campeão mineiro invicto e titular do chamado Dream Team cruzeirense, que faturou o bicampeonato da Supercopa, e formando zaga simplesmente com Luizinho, um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro.

Em 1993, foi peça importante na conquista da primeira Copa do Brasil. Na partida decisiva diante do Grêmio, no Mineirão, apesar dos 22 anos, foi o nome experiente da zaga, pois com a suspensão de Luizinho seu parceiro foi o jovem Robson, da base.

1993

Em pé: Paulo Roberto Costa, Célio Lúcio, Rogério Lage, Robson, Paulo César Borges e Nonato. Agachados: Ademir, Cleison, Edenílson, Éder e Roberto Gaúcho. O time que fez 2 a 1 no Grêmio, no Mineirão, e garantiu a Copa do Brasil de 1993

Em 1994, voltou a ganhar o Campeonato Mineiro de forma invicta. Em 1995, foi emprestado ao Palmeiras, pois foi eleito como um dos “culpados” pelo quase rebaixamento no Brasileirão de 1994, mas não seguiu no clube paulista.

No ano seguinte, com a camisa azul, retornou ao Palestra Itália, mas para buscar o bicampeonato da Copa do Brasil. Formou com Gélson a dupla de zaga que, juntamente com Dida, parou o forte ataque palmeirense, que contava com nomes como Rivaldo, Luizão e Djalminha.

No ano seguinte, ganhou a Copa Libertadores, numa campanha em que começou como titular, mas terminou como reserva. E faturou o tetracampeonato mineiro, pois já tinha erguido a taça do Estadual também em 1996.

Em seis temporadas na Toca da Raposa, oito títulos com participação direta, mais um apenas como integrante do grupo. Célio Lúcio ajudou a construir a história vitoriosa do Cruzeiro nos anos 1990 e o currículo dele prova isso.

Agora, o desafio, como treinador, mesmo que interino, é dar a arrancada que o clube precisa no difícil desafio de deixar a vice-lanterna da Série B do Campeonato Brasileiro para buscar o acesso.

A história de Célio Lúcio, marcada por voltas por cima na Toca da Raposa, é sem dúvida inspiração.