Quando o Cruzeiro foi rebaixado em 2019, “reconstrução” se tornou a palavra de ordem na Toca e no Barro Preto. Mas, desde então, ela não passou de sinônimo de “utopia”. Na prática, essa reconstrução não existe, muito em função dos danos de administrações passadas que recaem nos dias de hoje. É tudo, menos palavra de ordem na Raposa, que, na verdade, vive em meio à desordem. E não é difícil de comprovar isso. Cada semana de 2020 é formada por um turbilhão de adversidades que adentram as salas da diretoria e atingem os gramados. Os últimos sete dias são mais uma prova cabal do quanto a esperança celeste se vê esmagada por problemas crônicos que parecem não dar trégua aos azuis.

A derrota por 1 a 0 para o Cuiabá, no sábado (3), e a invasão de torcedores na Toca II, na quarta-feira (7), foram alguns episódios negativos neste período. Na tarde da mesma quarta, durante a votação que resultou na eleição de Sérgio Santos Rodrigues como presidente do clube, também houve protestos, em frente ao Parque Esportivo do Barro Preto. O que viria a seguir seria o ápice de uma semana turbulenta e ao mesmo tempo melancólica.

A quinta-feira reeditou uma máxima que se instaurou em 2019 e perpetua em 2020: problema extracampo, problema dentro de campo. A exclusão do Cruzeiro do Profut em definitivo se tornou o baque vesperal. A humilhação sofrida para o Sampaio Corrêa – derrota por 2 a 1, num jogo em que o adversário foi melhor e mereceu mesmo vencer –, a tragédia da noite. A equipe estrelada ocupa o 18° lugar, com 11 pontos, três atrás do primeiro time fora da zona da degola, o Botafogo-SP.

Atibaia é a bola da vez. Sim, a diretoria bate na tecla de que ir para a cidade paulista seria não apenas algo benéfico como também uma necessidade. Ao anunciar essa mudança de ares, Rodrigues ratifica que o clube não tem dinheiro para reformar os campos da Toca II e que pagaria pela nova estadia em 2021, de forma parcelada.

Sem sossego fora de campo, o Cruzeiro se prepara para mais uma batalha na parte de baixo da tabela. No domingo (11), às 16h, na Arena Barueri, os celestes encaram o Oeste, que soma seis pontos. Vencer se tornou obrigação e uma nova chama de esperança a um elenco que se mostra inoperante. Um resultado negativo representaria o cume da uma campanha pra lá de desastrosa até agora.

Marcas

No dia em que completou seu 900° duelo com a camisa azul e branca, o 14° nesta Série B, o goleiro Fábio sofreu seu 16° gol na competição. Com isso, a Raposa se tornou a sexta pior defesa do torneio. Este também foi o sexto duelo de Ney Franco no comando da equipe nesta edição: até o momento são duas vitórias e quatro derrotas.

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