Com a imagem do craque Neymar ao fundo, o doutor em Ciência do Desporto e professor da Universidade do Porto, em Portugal, Júlio Garganta, deu ontem um alento aos milhares de brasileiros que sonham em ser jogador de futebol, e um puxão de orelhas nas autoridades e dirigentes. “A ideia de que o talento já nasce com a pessoa é um erro. Talento não é um dom. É uma conquista que resulta de muitos fatores, como experiência, tempo de dedicação, prática e oportunidades no esporte”, resume uma das maiores autoridades mundiais no assunto.

Principal atração do II Ciclo de Debates Muda Futebol Brasileiro, realizado ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, o português garantiu que, após anos e anos de pesquisa, concluiu que o trabalho de maturação de um jovem é muito mais importante do que o dom: “Muitos jovens que eram prodígios até os dez anos, por exemplo, acabam não rendendo o esperado quando adultos. Já aquele que não tinha nenhum talento individual exagerado acaba se tornando um talento graças à prática e à entrega”.

Dezenas de pessoas ligadas ao futebol, como ex-jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes participaram das discussões, entre eles o pentacampeão Gilberto Silva e o ex-atacante Fábio Júnior. Superintendente de futebol do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues ministrou a palestra “Organização e Gestão no processo de reestruturação do futebol no Brasil”. Pelo lado do Atlético, o representante foi o diretor jurídico Lázaro Cândido Cunha, que falou sobre a lei de refinanciamento das dívidas dos clubes de futebol, batizada de Profut.

Para encerrar o ciclo de debates, a última palestra do dia tratou de Estratégias de fortalecimento do futebol amador: organização dos campeonatos, infraestrutura, recursos materiais e fomento do esporte. A profissionalização da arbitragem também foi discutida.