Última colocada nas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2018, a Venezuela tem que lidar com um claro racha entre os jogadores e a comissão técnica e diretoria da federação local. Na segunda-feira (30) à noite, 15 atletas que regularmente defendem a seleção anunciaram um boicote ao time até que o presidente interino Laureano Gonzalez renuncie.

A gota d'água para os jogadores foi a declaração de Gonzalez, na qual o presidente acusou os atletas de jogarem mal propositadamente na derrota por 3 a 1 para o Equador, em novembro, para tentar derrubar o técnico Noel Sanvicente. O grupo não digeriu nada bem a acusação.

"Nós aceitamos as críticas pela nossa atuação, e como time assumimos a responsabilidade pelo resultado, mas não aceitamos que nós estejamos preparando um movimento para derrubar o técnico da seleção. Estamos frustrados e decepcionados com a falta de apoio da comissão técnica", dizem os atletas, na carta publicada na segunda-feira à noite. Entre os signatários estão Tomas Rincon, que defende o Genoa, na Itália, e Salomon Rondon, atacante do West Bromwich, da Inglaterra.

O técnico Noel Sanvicente, que fez duras críticas ao time após aquela derrota para o Equador, dizendo que não se sentia apoiado pelos jogadores, Agora tenta colocar panos quentes na briga. Também em comunicado, pediu desculpas aos jogadores "se em algum momento eles sentiram falta de apoio", porque suas exigências "nascem do amor ao futebol". Ele negou que tenha pedido demissão e disse que conversará com os atletas, garantindo que nunca duvidou do "amor dos jogadores pela camisa da Venezuela".

Laureano Gonzalez preside a federação chilena desde maio, quando o presidente Rafael Esquivel foi preso na Suíça em meio ao escândalo de corrupção na Conmebol. O dirigente agora está detido nos Estados Unidos, após ser extraditado.