Um dos melhores laterais-esquerdos da história e com uma galeria invejável de títulos, Roberto Carlos, hoje com 45 anos, segue sendo referência no mundo da bola. Ídolo no Real Madrid, clube no qual atuou por mais de uma década, o ex-camisa 6 da Seleção Brasileira ainda presta serviços ao clube espanhol, no qual diz ter um longo contrato. 

No Bernabéu, ele auxilia a comissão técnica do Time B, está ao lado de Zinedine Zidane no dia a dia da equipe principal e acumula a função de embaixador dos merengues nos quatro cantos do mundo.

Nascido em Garça, no interior de São Paulo, o homem do chute potente teve oportunidade de defender o Atlético, quando tinha apenas 19 anos. Emprestado ao clube mineiro para três amistosos na Europa, foi titular absoluto, mas não permaneceu na Vila Olímpica porque o União São João de Araras dobrou a pedida inicial.

Revelado ao mundo pelo Palmeiras, na época em que o alviverde era bancado pela Parmalat, o pentacampeão do mundo em 2002 tem o Velho Continente como casa e não se vê comandando equipes brasileiras num futuro breve. Propostas para isso não param de chegar. Segundo ele, Santos, Palmeiras e Bahia o procuraram, mas o interesse de permanecer na Espanha é o que prevalece no momento.

Nesta entrevista ao Hoje em Dia, Roberto Carlos conta como foi a experiência de vestir a camisa do Galo, fala se a estatura (1,68m) o atrapalhou no início de carreira, diz de onde surgiu a potência no chute, traduz o sentimento de vestir a camisa da Seleção Brasileira, comenta a saída de Cristiano Ronaldo do Real e dá sua opinião sobre a trajetória de Zidane como comandante do maior vencedor da Liga dos Campeões.

roberto carlos

 

Você teve uma breve passagem pelo Atlético em 1992, quando participou de uma excursão à Europa. Como foi? O que lembra daquela viagem e daquela chegada ao clube? Por que não permaneceu no clube mineiro?

Eu fiz a excursão com o Atlético porque o União São João queria me vender naquela época e eu já estava na Seleção sub-20. Foi uma linda experiência jogar no Atlético. Foi quando o Real Madrid não quis por me achar muito novo; resumindo, foi fantástico para minha carreira e também ter minha primeira experiência internacional e consegui jogar em um bom nível.

Você é considerado um dos melhores laterais-esquerdos da história. A partir de quando conseguiu aliar a potência do chute à qualidade técnica para exercer outras funções. Quando veio esta maturidade?

A potência é desde pequeno, mas com o tempo fui melhorando não só com o chute, mas também em atacar, defender, fazer as coberturas, me posicionar melhor e aprender a ser decisivo em qualquer momento dos jogos e foi assim em toda minha carreira, tanto no Atlético, União São João de Araras, Real Madrid, Inter de Milão e Seleção Brasileira.

No União São João, você começou aos 16 anos e ganhou a titularidade. Sua estatura chegou a ser um problema em determinado momento? Acha que teve muita desconfiança no seu talento devido ao tamanho?

No União o maior problema foi pelo tamanho (risos). Desconfiança nunca, mas ser baixinho naquela época me causou certa preocupação porque o treinador da época preferia jogadores altos; coisas de cada um, que respeito.

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No Real, foram quase 600 partidas e 71 gols marcados, além dos títulos conquistados. Com certeza o auge da sua carreira. Hoje, sem Cristiano Ronaldo, o rendimento caiu consideravelmente. Criou-se uma “CR7-Dependência” no Bernabéu?

No Real Madrid foi uma história linda e continuo fazendo parte deste clube que, por sua história, é o maior do mundo. Ganhei títulos, fiz gols, dei passes para gol em todas as finais. Todo clube tem sempre a referência ou os números 1 que decidem. O Cris foi para a Juventus, mas temos excelentes jogadores aqui, como Marcelo, Sérgio Ramos, Bale, Benzema, Vinicius Júnior. Todos são enormes jogadores, os melhores do mundo, assim como em minha época, quando tínhamos, R9 (Ronaldo), Zidane, Beckham, Figo, Hierro, Redondo... Só o Real Madrid pode ter toda esta constelação de craques.

Marcelo assumiu a lateral esquerda e também fez seu nome no clube. Se jogassem na mesma época, com a mesma idade, quem seria o titular? (Pode puxar a sardinha para o seu lado, sem problemas! risos). Ele fala que você é o melhor da história.

Marcelo é, na atualidade, a referência para todos os laterais. Juntando Roberto Carlos e Marcelo pro Real Madrid são 23 anos de laterais brasileiros no clube. Fico muito orgulhoso de dizer que o vi crescer e que pude contribuir para que ele seja, por jogos e títulos, o capitão do Real. O Marcelo, por todas as qualidades, sem dúvida é o melhor da posição.

Você é o segundo jogador que mais vestiu a camisa da Seleção Brasileira na história. O que a camisa amarela significa na sua vida?

Em um país com milhões de meninos e meninas que sonham em vestir esta camisa verde e amarela e cantar o hino nacional por todo mundo, sou um privilegiado em fazer parte da história. Ganhar tudo é difícil e errar é humano. Minha sorte foi que mais ganhei que perdi, mais acertei que errei.

Chegou a receber propostas para voltar ao futebol brasileiro? Se sim, de qual (is) clube (s)?

Recebo sempre. Recebi do Bahia, do Palmeiras e do Santos. Clubes que já me conhecem. Mas eu tenho toda a minha carreira formada aqui no Real Madrid, na Europa. Voltei em 2011 para o Corinthians e aquele jogo contra o Tolima, em que não entrei, marcou muito a minha carreira quando voltei para o Brasil, pois eu queria jogar. O meu contrato aqui é muito longo, mas nunca fechei as portas para o futebol brasileiro. É o país que eu amo e um dia posso ser treinador aí.

Por trabalhar atualmente na comissão do Real B, você acompanha de perto o trabalho de Zidane. Como você analisa o trabalho dele como treinador, tendo o visto como companheiro de time?

Faço um pouco de tudo aqui. Trabalho com o primeiro time, trabalho no Real Madrid TV, sou embaixador do clube por todo mundo, o time B está em situação de voltar para a segunda divisão e acompanho bem de perto o trabalho do Zizu. É um grande treinador que, em uma carreira muito curta, já ganhou títulos que muitos treinadores importantes não conseguiram. Para mim foi um orgulho ter jogado com ele e hoje trabalharmos juntos. Nas viagens falamos sobre futebol.

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