A Justiça do Rio suspendeu a realização da assembleia-geral da CBF, que estava marcada para esta segunda-feira (7) para aprovar as contas do mandato de Marco Polo Del Nero.  No final da tarde de domingo (6), o juiz Paulo Assed Estefan concedeu a liminar em favor do presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto. No seu despacho, o juiz informa que os funcionários da entidade não deram acesso aos comprovantes de receita e despesas. Na sexta, advogados do dirigente foram à CBF pedir o balanço financeiro da entidade, que seria discutido na assembleia desta segunda.

"Desse modo [...], o princípio da transparência, defiro parcialmente a liminar pretendida e determino a suspensão de deliberação", escreveu o magistrado.

Peixoto alega que recorreu ao Judiciário para ter acesso de forma detalhada ao balanço da entidade, o primeiro da gestão Del Nero. Ele foi representado na causa pelo advogado Gerson Arraes, do Escritório Costa Barros. Até às 11h desta segunda (7), um oficial de Justiça vai notificar a CBF da decisão. A assembleia está marcada para o meio dia. Os presidentes de federações de todo o país participariam da reunião.

O cartola paulista é investigado pelo FBI e pelo Comitê de Ética da Fifa. Ele é acusado de participar de um esquema de recebimento de propina na venda de direitos de torneios no país e no exterior. José Maria Marin, seu antecessor na CBF, cumpre prisão domiciliar nos EUA acusado pelo mesmo crime. As contas de 2015 da entidade foram feitas pelos dois dirigentes. Marin comandou a entidade até abril, quando passou o cargo para Del Nero.

"Não posso aprovar as contas da CBF no escuro. Eles sempre apresentam os números de uma forma bem resumida. Desta vez, diante das investigações, não podemos agir mais assim", disse Peixoto. "Desde sexta, estou pedindo o relatório de uma forma detalhada e não nos passam nada. Só me restou ir ao Judiciário", acrescentou o dirigente catarinense de 75 anos.

Vice da CBF, Peixoto era o primeiro na linha sucessória até dezembro, quando Del Nero articulou uma manobra, classificada pelos opositores como "golpe". Numa eleição convocada às pressas, os aliados de Del Nero elegeram o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antonio Carlos Nunes, 77, para entrar na vaga de vice deixada em aberto por Marin após a prisão no exterio.
 
Pelo estatuto da CBF, o vice mais velho assume em caso de renúncia. A CBF tem cinco vices. Del Nero está afastado do poder desde dezembro, quando o FBI o acusou de se beneficiar do esquema de recebimento de propina.  Em janeiro, Nunes começou a comandar a CBF. Peixoto é o presidente de federação mais crítico aos métodos de comando da atual diretoria.