A Justiça Federal no Rio determinou nesta terça-feira (30) o bloqueio de bens do empresário Kleber Leite, dono da empresa de marketing esportivo Klefer, que detém os direitos dos jogos da seleção brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo e é parceira da CBF. A Justiça Federal não se manifestou sobre a decisão, informando apenas que "esse processo está tramitando em segredo de Justiça, em grau absoluto".

O advogado de Kleber, Michel Assef, confirmou o bloqueio, ordenado pela 9ª Vara Criminal Federal do Rio. Assef, no entanto, disse desconhecer o âmbito da decisão porque ainda não teve acesso aos autos do processo. "Até hoje não foi deferido pela Justiça brasileira o acesso aos autos. Enquanto a gente não tiver acesso aos autos não há como fazer qualquer manifestação. Esperamos que a Justiça entenda que é direito dos advogados ter acesso."

Em 27 de maio a Polícia Federal (PF) já havia estado na sede da Klefer, em Botafogo, na zona sul carioca. Na ocasião, a empresa foi vasculhada por um delegado, sete policiais e dois procuradores do Ministério Público Federal. Houve a apreensão de documentos e computadores.

José Margulies, argentino naturalizado brasileiro que intermediava contratos da Conmebol com emissoras de TV e empresas de marketing esportivo, também foi alvo da operação de apreensão de bens. Ele já havia sido citado pelo FBI no escândalo de corrupção na Fifa e está na lista de procurados da Interpol.

Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo, não foi citado nominalmente no indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA. Mas o FBI abriu investigações sobre possíveis acordos dele com J. Hawilla, dono da Traffic, para pagar propina à CBF por contratos comerciais da Copa do Brasil. Hawilla fechou acordo com a Justiça norte-americana para revelar o que sabia dos esquemas de corrupção e teria citado Leite. Em nota emitida em maio, quando surgiu a informação de que fora citado, Leite rejeitou as acusações e disse que Hawilla deve ter tido a "cabeça e o caráter afetados por causa de uma grave doença". (Colaborou Jamil Chade, de Genebra)