Aos 66 anos, Mário Sergio Pontes de Paiva se preparava para exercer, novamente, a quarta profissão relacionada ao futebol, como comentarista dos canais Fox Sports. Decolou para a Colômbia, onde iria comentar Chapecoense x Atlético Nacional, e foi uma das vítimas do acidente aéreo da última terça-feira. No primeiro ofício que exerceu no futebol, ele foi um craque, daqueles polêmicos fora de campo e cerebrais com a bola no pé. No segundo e no terceiro, como treinador e gestor de futebol, não brilhou. Passou pelo Atlético em uma época difícil do clube, em 2004, deixando marcas negativas e positivas.

Contratado pelo ex-presidente Ricardo Guimarães para substituir Jair Picerni, Mário chegou num momento em que o Atlético se reestruturava na Cidade do Galo e estava em péssima campanha no Brasileirão, na 21ª colocação, a primeira da zona de rebaixamento. O novo comandante começaria com uma vitória de 3 a 2 contra o Guarani-SP, mas teria mais baixos do que alto e seria demitido com o alvinegro na 22ª colocação, a três pontos de sair da degola, algo que só se concretizaria na última rodada, já com o interino Procópio Cardoso.

"Acho que a função de técnico é essa mesma, tem que ir nas horas difíceis. Nas horas boas, ninguém contrata, fica quem está lá", disse Mário Sérgio, à Rádio Jovem Pan, quando foi contratado pelo Atlético para substituir Jair Picerni.
 

Mário Ségio durou menos de dois meses no Atlético, em nove jogos disputados, com três vitórias, cinco derrotas e uma empate. A derrota para o Figueirense foi a gota d'água. Nesta passagem relâmpago, ficará eternizado na história do clube por dois motivos. O positivo? Era o treinador da equipe que enfiou 6 a 1 no Flamengo no Ipatingão, na maior goleada do Atlético diante do rival carioca. O negativo? Na segunda partida pelo Galo, perdeu por 5 a 0 para o São Paulo no Independência. 

NO GALO - Mário Sérgio conversa com Alex Mineiro, o artilheiro de Atlético 6x1 Flamengo

Mário e Alex Mineiro, o artilheiro de Galo 6x1 Fla

Canhoto, dono de uma personalidade rebelde, Mário acumulou polêmicas nas carreiras de treinador e jogador. Multicampeão com chuteiras nos pés (Mundial do Grêmio em 1983) foi acusado de doping, ganhou o apelido de "Rei do Gatilho" por atirar com um revólver para se defender de pressão de torcida adversária e tinha fama de viciado em Turfe. 

Sua última experiência como treinador foi no Ceará, em 2010. Depois, passou a ser comentarista da Fox Sports a partir de 2012 e participou da cobertura da Copa Libertadores na qual o Atlético se sagrou campeão. No duelo entre Galo e The Strongest na Bolívia, vencida por 2 a 1 pelo time mineiro, Mário elogiou Ronaldinho, que retribuiu: "Um elogio dele vale mais do que três pontos". 

Mário ficou marcado por criar uma jogada que R10 iria imortalizar, principalmente nos tempos de Barcelona. O ex-jogador olhava para um lado e tocava a bola para o outro, enganando o marcador. 

Ganhou o apelido de 'Vesgo' por esta artimanha, aperfeiçoada por Ronaldinho anos depois. O ex-melhor do mundo era uma criança de três anos quando Porto Alegre se pintou de preto, azul e branco para celebrar o Grêmio campeão mundial em Tóquio. Entre os heróis que venceram o Hamburgo, lá estava o camisa 11 Mário Sérgio Pontes de Paiva.

 

Clique aqui e confira, no site da Globo, a chegada de Mário Sérgio no Atlético.

Veja, no site da Fox Sports, a interação entre Mário Sérgio e Ronaldinho.

Os jogos de Mário Sérgio como técnico do Galo:
7/10/2004 - Atlético 3x2 Guarani
17/10/2004 - Atlético 0x5 São Paulo (Maior goleada da história do São Paulo contra o Atlético)
23/10/2004 Cruzeiro 0x3 Atlético
26/10/2004 Vitória 2x1 Atlético
30/10/2004 Atlético 2x2 Criciúma
6/11/2004 Goiás 1x0 Atlético
14/11/2004 Atlético 6x1 Flamengo (Maior goleada da história do Atlético contra o Flamengo)
20/11/2004 Paraná 1x0 Atlético
27/11/2004 Figueirense 2x1 Atlético