Em 1959, na fértil terra musical de Três Pontas, dois garotos engendravam, por meio do grupo Luar de Prata, uma aliança que, algumas primaveras depois, seria crucial para o nascimento de um dos maiores manifestos do cancioneiro brasileiro, o Clube da Esquina. Wagner Tiso, então com 14 anos, amigo de infância e parceiro artístico de Milton Nascimento (os dois meninos aspirantes a músicos em questão), construiria dali em diante uma prolífica trajetória que, em 2019, completa seis décadas.

Para celebrar essa marca, o maestro, arranjador e pianista fará um concerto especial no Esopo, hoje, às 20h, em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte.

A comemoração contará com vários convidados, desde parceiros dos tempos de Clube da Esquina, como Beto Guedes e Toninho Horta, a nomes de outras gerações e que também estão inseridos na cronologia musical de Tiso, vide Thiago Delegado e Tizumba.

 “Convidamos a maioria dos amigos que tiveram a data disponível para participar. Vejo como uma celebração, sim, e uma homenagem desses amigos para mim. Vai ser um grande momento, de muita música rolando. Uma festa mineira. Tem gente, incluindo parentes, do interior que vem cantar com a gente”, enfatiza Tiso, de 74 anos de idade, completados no último dia 12.

Wagner Tiso

Carreira

Considerado patrimônio musical da música mineira, brasileira e internacional, Tiso aprendeu teoria musical com Paulo Moura (1932-2010) e ficou marcado por arranjos para canções de outros ícones como Dominguinhos, Gonzaguinha, Gal Costa, Maria Bethânia, Cauby Peixoto, Lô Borges e Gilberto Gil.

Após forjar tantas pérolas e fincar um lugar de destaque na MPB, o maestro admite ficar em dúvida no desafio de enumerar quais fatos serviram como divisores de água em sua carreira. “É muito difícil responder a isso, porque trabalhei com vários artistas. Mas, claro, há alguns momentos especiais, como quando fui gravar nos EUA com Bituca (Milton Nascimento) e Herbie Hancock (uma dessas parcerias rendeu o álbum “Native Dancer”, do saxofonista Wayne Shorter, em 1974). Teve também turnês na Europa... E é um prazer enorme tocar com pessoas que tanto gosto e admiro”, relata. 

Raízes

Outro episódio marcante, obviamente, é a amizade selada com Milton Nascimento. “Tive algumas sortes. O Bituca foi levado para Três Pontas com dois anos e foi morar em frente à minha casa. Essa união com o Milton nos levou a pesquisar, a querer ser músico mesmo e a viajar. De repente, estávamos em Belo Horizonte, depois no Rio... E foi assim, fazendo acordes bonitos que construímos essa história. Essa troca sempre foi importante, essa coisa de juntar pessoas. E quero continuar assim, juntando pessoas e gerações”, ressalta.

Futuro

Após celebrar 60 anos de trajetória musical, o maestro, arranjador e pianista Wagner Tiso colocará em prática alguns de seus anseios. Entre eles, uma turnê especial no segundo semestre de 2020.

“Esse é o plano, parar não dá. Não vou ficar deitado numa rede, esperando o tempo passar. Quero sempre me renovar e conhecer músicos que estão surgindo aí. No ano que vem passarei pela Áustria, Alemanha, Inglaterra... Por vários lugares da Europa e pelos EUA”, destaca ele.

E não para por aí. Em um futuro breve, espera tirar do papel mais uma de suas pautas. “Quero juntar músicos jovens daqui de Minas Gerais e fazer uma turnê com eles. É legal me reunir com tantos músicos talentosos daqui”, sintetiza o maestro.

Além disso, Tiso estará presente no Festival Internacional de Piano Solo (Fips) e engajado no projeto Clubinho da Esquina, voltado para crianças, e no lançamento de um songbook com seus principais temas.

SERVIÇO
Wagner Tiso: 60 anos de carreira, hoje, às 20h no Esopo Taberna dos Tempos (Alameda Flamboiant, 265, Vale do Sereno, Nova Lima). R$ 480, a mesa (R$ 120 por pessoa); R$ 60 (individual pista). Vendas online: www.centraldoseventos.com.br//events/show/aniversario-wagner-tiso