Uma situação está incomodando os técnicos do Sada/Cruzeiro e do Vivo/Minas: os jogadores estrangeiros estão assistindo às partidas do Campeonato Mineiro de Vôlei do banco de reservas. Não por opção tática, mas sim devido a problemas burocráticos.

No time celeste, é o caso dos cubanos Yadier Sanchez e Yoandry Leal. No Minas, o tcheco Filip Rejlek e o argentino Rodrigo Quiroga também estão impedidos de atuar. O motivo é uma regulamentação imposta pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), inédita no Brasil.

Quando as equipes contrataram os gringos, inclusive as de outros estados, não havia a regra, assinada em julho deste ano. Ela impõe que os atletas estrangeiros só estarão liberados para jogar a partir de 15 de outubro. A medida não foi avisada pela entidade, e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) desconhecia a mudança. É a primeira vez que é estabelecida janela de transferência no vôlei brasileiro.

Vale lembrar que há somente duas competições por temporada no país, os campeonatos estaduais, em andamento, e a Superliga. Portanto, os gringos, apesar de já treinarem com os clubes, disputarão apenas o torneio nacional. São três meses de investimentos “parados”.

O coordenador do Departamento de Vôlei do Minas Tênis Clube, José Ricardo Claudino, diz que os atletas estão sendo impedidos de exercer seus direitos, uma vez que estão com os vistos de trabalhos legalizados. Além disso, lembra que os times pagam uma taxa cara à FIVB para tê-los no elenco. No caso do Minas, 2.000 francos suíços (cerca de R$ 4.220) por atleta a cada temporada. O valor relativo aos cubanos chegaria a 20.000 francos (R$ 42.200).

Só na Superliga

Mesmo já atuando nos respectivos clubes na temporada passada, Filip, do Minas, e Sanchez, do Cruzeiro, também entram na janela de transferência, por terem renovado o contrato. Dessa forma, acabaram enquadrados na mesma burocrática situação de jogadores que estão chegando agora ao Brasil.

Nem eles nem os novatos disputarão o Campeonato Mineiro. Os atletas do Cruzeiro também desfalcam o time no Sul-Americano de Clubes, que ocorre de 3 a 9 de setembro. Provavelmente, entrarão em quadra somente em novembro, quando começa a Superliga.

Justificativa furada

A CBV prometeu aos clubes que entraria em negociação com a FIVB para encurtar o prazo da janela no Brasil. Porém, ainda não obteve resposta. Segundo Confederação, a justificativa para esse longo período de espera seria proteger as seleções europeias que disputam torneios nesse período. Um erro, já que o contrato assegura que os jogadores sejam liberados em caso de convocações pela seleção de seus países.