Nesta sexta-feira, começa o Campeonato Sul-americano de Judô da classe sub-15. Entre os 14 jovens atletas brasileiros selecionados para a competição, duas judocas que vieram de um projeto social realizado na cidade de São Paulo conquistaram lugares no importante torneio.

Com ajuda de doações e muita força de vontade, Aline da Silva Cruz e Ana Caroline Nascimento dos Santos, ambas com 12 anos de idade, passaram por competições regionais e chegaram ao Brasileiro da categoria. Os resultados positivos no torneio nacional renderam às duas atletas as vagas no campeonato internacional, que acontecerá na cidade de Santigo, no Chile.

Para alcançar esse nível de qualidade, as jovens promessas passam por uma preparação intensa: treinando quatro vezes por semana, além de manter a disciplina com a alimentação para não ultrapassar o limite de massa corporal. Aline lutará pelo titulo da categoria meio médio (até 42kg) e Ana Caroline na categoria leve (até 38kg).

Os treinos são realizados em uma das unidades da Unibes (União Brasileiro Israelita do Bem Estar Social) e são ministrados pela sensei Miriam Minakawa, que começou a oferecer as aulas como voluntária e depois se tornou funcionária. Com 180 alunos por dia a professora tem a missão de encontrar talentos como Aline e Ana Caroline.

"Eu queria ajudar e então me indicaram a Unibes. Começamos em uma sala pequena, com poucos tatames. O trabalho começou a desenvolver e amigos, conhecidos acharam a ideia boa. E então instituição ofereceu uma sala maior porque conseguimos todo o material", contou.

Mesmo com as dificuldades enfrentadas como a falta de patrocínio, que até exclui a possibilidade de participação em algumas competições, as atletas sonham em chegar ao topo. Assim como a judoca Sarah Menezes, que também iniciou a carreira em um projeto social e se tornou primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha de ouro olímpica na modalidade.

Segundo as jovens promessas, o ingresso no judô foi muito positivo, tanto no âmbito esportivo, quanto no social e familiar. "Meu comportamento mudou, porque antes eu era "rebelde". Minha família ficou mais amiga, ficou mais feliz", revelou Aline. Apesar de morar longe da instituição, Ana Caroline não deixa de treinar. "A gente só vai de melhor para melhor", destacou.

A evolução das atletas foi consequência da dedicação que sempre demonstraram ao participar das aulas. "O judô exige disciplina. Uma coisa vai levando a outra. As duas são ótimas alunas e nunca me deram problemas de comportamento. Eu acho que talvez isso até seja uma consequência por estar no esporte desde o começo. São aprendizados que elas vão levando para a vida inteira", disse a sensei Miriam.