Para quem viveu aquele 1º de maio de 1994, parece que foi ontem, não que se completam 25 anos. E não por acaso: na memória dos fãs, Ayrton Senna segue mais vivo do que nunca. O tempo não foi capaz de diminuir o carisma, a importância e o significado de um piloto que foi bem mais do que isso. Capaz inclusive de deixar um legado cada dia mais forte longe das pistas por meio do Instituto que leva seu nome, comandado pela irmã Viviane. Ainda hoje referência em todo o mundo, mesmo depois de ver alguns de seus feitos redimensionados por Michael Schumacher ou pelo fã de carteirinha Lewis Hamilton. Quem acordava nas manhãs de domingo para torcer pela McLaren branca e vermelha (e depois a Williams do acidente fatal, na curva Tamburello do Circuito de Imola) tem fortes na lembrança as imagens com demonstrações de talento e competitividade do paulista.

"Eu tinha três anos de idade e meu pai me acordou para ver uma corrida com um carrinho na mão. Daquele dia  ficou a lembrança de um carro preto. Muito tempo depois fui descobrir que era o GP da Bélgica de 1985 (vencido por Senna com a Lotus). Ali tudo começou, virou o programa dos domingos. No dia do acidente inicialmente me veio a decepção, pensei que ele estava abandonando a terceira corrida consecutiva, que o (Michael) Schumacher dispararia na pontuação. Até me dar conta de que era muito mais sério. Passei a semana inteira chorando, fui com uma fita preta para a escola e não tirava da cabeça o boné usado pelo Ayrton. Foi como perder alguém da família. Ele deu um exemplo ao perserverar, acreditar, viver em função de seu sonho, foi uma fonte de esperança num momento em que o Brasil dava errado. Foi o último ídolo de verdade que o país teve", destaca o jornalista Raphael Lucca, 36 anos, que mantém cuidadosamente guardada uma coleção de DVDs, fitas de vídeo cassete, revistas, jornais e todo o tipo de lembranças do tricampeão mundial.

Também ao lado do pai, nas madrugadas,Guilherme Simão, teve o primeiro contato com a fase áurea de Senna. E por mais que o final de semana em San Marino tivesse começado trágico (com a morte, na véspera, do austríaco Roland Ratzenberger, e o acidente de Rubens Barrichello), não imaginava o desfecho daquele domingo. "Ficava na expectativa de que ele saísse do carro, não acreditei quando ouvi. O Senna foi diferente de qualquer outro personagem do esporte, era diferenciado, foi além das pistas com o Instituto. Acredito que ele veio para ficar o tempo que ficou e ir embora do jeito que foi", diz o arquiteto, que estima ter visto "umas 700 vezes" o documentário do britânico Asif Kapadia, que retrata a trajetória do brasileiro.

Guilherme, que também coleciona itens ligados a Senna e fez a admiração virar tatuagem, fez questão de visitar o túmulo onde estão os restos mortais do tricampeão, no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. "Foi uma coisa absurda, um silêncio imenso, não ventava, até que eu me aproximei da árvore que há sobre o local para deixar minha bandeira e bater um papo com ele, imediatamente começou a ventar, senti uma energia muito forte. Acredito que ele siga vivo porque, além das imagens, que ajudam a mostrar tudo o que fez, quem era fã passou para frente, comentou com os mais novos. Era uma época única a da rivalidade com o (Alain) Prost, duas personalidades fortes, um valorizando as conquistas do outro. Difícil que se repita."

SENNA1