RIO DE JANEIRO – A fronteira da França com a Alemanha se estende por 451 quilômetros. Após a Primeira Guerra Mundial, o local abrigou a famosa Linha Maginot, recheada de fortificações que tentariam, em vão, proteger os franceses de novas investidas germânicas. Palco de disputas bélicas, a divisa tornou-se o símbolo da rivalidade histórica entre os vizinhos europeus.
 
O clima agora é de cordialidade, exceto quando o futebol entra em cena. E a Copa do Mundo reúne nesta sexta-feira (04), às 13h, as potências do Velho Continente, nas quartas de final. O “combate”, no gramado do lendário Maracanã, promete estremecer o Rio e ser um dos melhores do torneio. Quem passar, enfrentará Brasil ou Colômbia, no Mineirão, na semifinal da próxima terça-feira.
 
Pela quarta oportunidade, franceses e alemães ficam frente a frente em um Mundial. Em 1958, o ídolo Just Fontaine anotou quatro gols na vitória dos Bleus, por 6 a 3, na disputa do terceiro lugar.
 
Os jogos de 1982 e 1986 acirrariam de vez tal “briga particular”. A partir daí, cada capítulo do clássico ganhou status de “guerra”. Na disputa da Espanha, as equipes protagonizaram um duelo inesquecível na semifinal, em Sevilha. Foi o primeiro embate na história da competição a ser decidido nos pênaltis.
 
Voadora e crise
 
Porém, um lance polêmico marcaria para sempre o confronto. Na etapa complementar, o defensor dos Bleus, Battiston, recebeu lançamento de Platini na área e acabou alvo de uma voadora do goleiro Schumacher. O árbitro holandês, Charles Corver, não assinalou penalidade e sequer expulsou o alemão.
 
Battiston caiu desacordado no campo, sem dois dentes e com concussão. Platini achou que o companheiro havia morrido. “Ele estava sem pulso e pálido”, declarou, na época.
 
As palavras de Schumacher, encerrado o confronto, reforçaram a indignação dos torcedores e jogadores da França: “Se foram só os dentes, depois eu pago as coroas”.
 
As manchetes dos jornais franceses, no dia seguinte, reviveram o então “adormecido” ressentimento antigermânico da população. Tanto que os líderes de ambos os países, François Mitterrand e Helmut Schmidt, precisaram emitir comunicados oficiais para conter o aumento da animosidade.
 
Mandar os alemães de volta para casa nesta sexta, no Maracanã, também “vingaria” a França da derrota no Mundial de 1986 (México). Em outra semifinal, Schumacher e Battiston se reencontraram em Guadalajara. Depois de eliminarem o Brasil, os Bleus eram os favoritos. Mas uma falha do goleiro Bats proporcionou o gol de Brehme. Völler deu o golpe de misericórdia nos franceses, decretando os 2 a 0.