Após 35 anos dedicados ao América, Marcus Salum deixará a presidência do clube com o sentimento de dever cumprido. Apesar de a última temporada não ter reservado um troféu de campeão, 2020 foi um ano histórico para ele e o Coelho, de volta à Série A do Brasileiro. E muito se deve à química entre o mandatário e o técnico Lisca.

Essa sinergia fora das quatro linhas foi um dos pilares para o Alviverde ter conquistado uma vaga na elite nacional. Depois de tantos comentários positivos de Lisca ao trabalho desempenhado por Salum, em entrevista exclusiva ao Hoje em dia o ainda presidente americano ressalta o quanto a recíproca é verdadeira.

Lisca nas palavras de Marcus Salum

Afinidade
“Raramente a gente tem uma relação de afinidade como a que eu tenho com o Lisca. Trabalhei com vários técnicos, e mais de 90% com quem trabalhei são meus amigos. Sempre tive uma relação com os treinadores. Só que com o Lisca, nós temos muita identidade.”

Workaholics
“Primeiro, na visão de grupo, nós somos parecidos; na forma de trabalhar, somos parecidos. Lisca é outro workaholic, está sempre vendo jogos, sempre querendo o melhor, perfeccionista total. Nós temos muita afinidade na forma de trabalhar. O segundo ponto é que o Lisca estava em um momento de carreira em que ele tinha virado um bombeiro durante vários anos. Acompanhando a carreira dele, sempre achei que ele era um treinador acima da média. Hoje eu não acho; tenho certeza. Ele é um dos melhores treinadores do Brasil. Ele está no top 10 dos treinadores do Brasil.”

Lisca Doido?
“Ele era o treinador que resolvia problemas de times que estavam para cair ou que precisavam subir. Eu cheguei para ele e disse: ‘No América, não quero Lisca Doido. Você pode ser doido para a torcida. No campo e no trabalho, é o Lisca treinador, que vai fazer um trabalho do início até o fim’. Ele comprou esse projeto e foi fiel até o fim. E eu sou muito grato a ele, porque ele teve várias possibilidades de pular o barco e foi até o fim. Então, esse é o grande segredo da nossa amizade.”

Equilíbrio
“Claro que tem os pontos fracos, como o psicológico. Como ele é perfeccionista, não admite o erro, seja do outro ou dele. E isso prejudicava a carreira dele. Tivemos que equilibrar isso. Lisca hoje é um grande técnico e valorizado, porque soube tirar proveito disso (desse equilíbrio emocional).”

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