Ao ser desclassificado do GP do Brasil disputado neste domingo, Felipe Massa entrou para um grupo de poucos pilotos brasileiros que amargaram essa decepção. Até então, apenas Nelson Piquet e Ayrton Senna haviam sido eliminados em corridas da Fórmula 1 disputadas diante de sua torcida no País. O caso de Massa, porém, foi o primeiro registrado em Interlagos.

O piloto da Williams foi desclassificado no início da noite deste domingo após decisão dos comissários da prova. O pneu traseiro direito de seu carro tinha a temperatura de 137ºC, quando o máximo permitido é de 110°C.

Antes, apenas dois brasileiros haviam sido eliminados em casa. Em 21 de março de 1982, correndo em Jacarepaguá, o então campeão Piquet fez uma prova e tanto. Largando em sétimo com sua Brabham, o brasileiro superou os adversários um a um, travando uma disputa memorável com Gilles Villeneuve, da Ferrari, e Keke Rosberg, da Williams. Com o abandono de Villeneuve, Piquet cruzou a linha de chegada na frente, seguido de Rosberg.

Um mês depois, porém, ambos foram desclassificados. A Federação Internacional de Automobilismo Esportivo (Fisa, na sigla em inglês) aceitou a denúncia da Ferrari e da Renault de que Williams e Brabham trapaceavam na pesagem após as provas, injetando óleo e até água nos carros para atingir o peso mínimo. Com a decisão, Alain Prost, da Renault, herdou a vitória.

O autódromo carioca também foi o palco da última desclassificação de um piloto brasileiro diante de seu público. Em 3 de abril de 1988, Ayrton Senna estreava pela McLaren, após conquistar suas primeiras vitórias na Fórmula 1 pela Lotus nos três anos anteriores. Na prova disputada no Rio de Janeiro, como de costume, cravou a pole position. Assim que alinhou no grid, porém, notou que havia algo de errado com a caixa de câmbio e foi até os boxes da equipe, trocando de carro e largando dali mesmo, em último lugar.

O problema é que a atitude era passível de punição e, apesar chegar à vice-liderança ainda no começo da prova, Senna acabou recebendo a bandeira preta e foi obrigado a abandonar a corrida. Na súmula da corrida, os comissários registraram que "o carro número 12 não obedeceu o procedimento de largada". Curiosamente, Alain Prost, seu companheiro de equipe naquela temporada, também foi o vencedor da prova.