Medalhista olímpica e no Top 200, Laura Pigossi mira o topo do tênis: 'sonho que posso tudo'

Gustavo Andrade
@gfandrade
22/12/2021 às 10:48.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:35
 (Montevideo Open)

(Montevideo Open)

Omar Erre/Divulgação

Medalhista olímpica em Tóquio, Laura Pigossi encerrou o ano como a 192ª tenista do mundo em simples

Embora tenha dois representantes no hall da fama do tênis, o Brasil não havia conquistado medalhas olímpicas no esporte até 2021. O feito inédito, que nem mesmo Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno tinham alcançado, foi atingido por uma dupla de paulistanas: Luisa Stefani e Laura Pigossi.

Meses depois de conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Laura ainda tenta se acostumar com o fato de que seu nome estará sempre marcado na história do tênis brasileiro. 

“Demorou um pouco para me acostumar. Para ser sincera, senti diferença nas redes sociais. No Instagram, ganhei 80 mil seguidores. Sempre fui de interação com quem me segue e fiz muito isso na Olimpíada, até por ser algo que já fazia antes. Agora, precisei entender que não conseguiria responder todo mundo com a mesma agilidade”, contou a tenista em entrevista ao Hoje em Dia.

Após conquistar a medalha olímpica, Laura Pigossi seguiu colhendo bons resultados naquela que foi sua melhor temporada da carreira até aqui. Aos 27 anos, ela atingiu a 167ª posição no ranking de simples da WTA. Em duplas, é a 192ª. 

Estar entre as 200 melhores do mundo era um dos objetivos da tenista, que agora mira o Top 100. Outra meta, a presença num Grand Slam, já foi alcançada com a classificação para o qualifying do Australian Open, que será disputado em janeiro.

Entenda a seguir como foi obtida a medalha olímpica mais improvável do esporte brasileiro na Olimpíada de Tóquio e como Laura Pigossi tem se preparado para brigar com as melhores tenistas do mundo.Instagram/Reprodução

Laura e Luisa conquistaram primeira medalha olímpica do tênis brasileiro

Como é a sensação de saber que seu nome sempre aparecerá quando alguém pesquisar quem conquistou a primeira medalha olímpica do tênis brasileiro?

Isso me enche de orgulho de saber, por tudo o que passei, todos os treinos, a mudança de país (Laura mora em Barcelona, na Espanha, há mais de cinco anos). É algo que você olha para trás e vê que valeu a pena. Uma coisa que me fez mudar mais é que estou sonhando que posso tudo. Estou acreditando que posso. Falei para meu técnico (o espanhol Germán Puentes) que vou sonhar grande. Se consegui uma medalha estando em 180ª do mundo, tendo jogado dois torneios em duplas na temporada, posso sonhar mais. No Australian Open, quem sabe não posso seguir o exemplo da Raducanu (tenista britânica que saiu do qualifying e foi campeã do US Open em 2021)? Estou desfrutando jogar, sem me preocupar em ganhar ou perder.

De que forma a proximidade com a Luísa Stefani ajudou vocês a superarem todas as expectativas e irem até o pódio em Tóquio?

A gente era bem amiga, muito amiga. Ela foi para Barcelona (onde Laura mora), mas nunca chegamos a jogar duplas juntas antes da Olimpíada. O fato de sermos muito amigas e termos o mesmo sonho fez a gente sentar e conversar como poderia dar certo. Estávamos muito gratas por estar lá, mas querendo mais. A gente tinha tudo contra. A gente não se preparou, não tinha papelada; simplesmente buscamos todas as soluções possíveis e fizemos dar certo.

Agora que você é campeã olímpica, o que mudou, tanto como atleta quanto no restante de sua vida?

Demorou um pouco para me acostumar. Para ser sincera, senti diferença nas redes sociais. No Instagram, ganhei 80 mil seguidores. Sempre fui de interação com quem me segue e fiz muito isso na Olimpíada, até por ser algo que já fazia antes. Agora, precisei entender que não conseguiria responder todo mundo com a mesma agilidade. Tive fotos com mais de 3.500 comentários. Demorei duas ou três semanas para entender o que estava acontecendo. Tentar responder todo mundo, às vezes, tirava meu foco. Minha mãe me ajudou a me organizar, agora já me acostumei. Muitas vezes, publico um vídeo para manter as interações. Mas não quero passar para alguém responder, porque é algo que gosto muito. 

O acesso a patrocínio ficou mais fácil depois da Olimpíada?

Consegui fechar com a Asics. Já tinha o BRB, que vem apoiando o tênis brasileiro. Estou com um agente, tentando fechar algumas coisinhas. Agora, em dezembro, vamos conseguir sentar e analisar.

Hoje, você atingiu o melhor ranking. Antes de Tóquio, já tinha conquistado dois títulos nesta temporada. Depois, voltou a ser campeã. Foi o melhor ano da sua vida profissional? O que você espera para a próxima temporada?

Estou vivendo uma fase em que, às vezes, alcanço o que quero fazer e simplesmente dobro o objetivo. Vou sentar com meu treinador e fazer novas metas. Para esse finalzinho de ano, minha meta era estar no Top 200. Montevideo Open/Divulgação

Laura Pigossi estará no qualifying do Australian Open, em janeiro

O que você planeja fazer na sua preparação para conseguir jogar de igual para igual com as melhores do mundo?

Sempre tive acompanhamento com psicóloga, desde os oito, nove anos. Ela já acompanhou vários atletas olímpicos. Foi de grande ajuda. Entendi que a diferença numa Olimpíada para conquistar uma medalha era a atitude. Tinha a ideia clara de como reagir a cada ponto. Isso, com certeza, me preparou para esse momento. Foi a semana que tirei 10 na prova de psicologia (risos). Essa atitude vai fazer com que eu ganhe de jogadoras maiores. É a maneira de encarar.

Sua conquista em Tóquio foi em duplas, mas tem colhido bons resultados em simples? A ideia é conciliar as duas modalidades?

Sempre que possível, vou jogar individual e duplas. Houve um momento na minha carreira em que comecei a jogar torneios maiores de duplas e acabei avançando. Já conseguia ter bons resultados em duplas, coisa que não conseguia em simples. Tenho físico para os dois. Vão ocorrer torneios em que optarei por só jogar simples, mas a ideia é conciliar. 

Além de vocês terem conquistado a medalha em Tóquio, a Luisa Stefani atingiu o Top 10 no ranking de duplas, e a Bia Haddad está no Top 100 em simples. Nos Jogos Pan-Americanos, a Luisa já havia conquistado uma medalha em duplas com a Carol Meligeni. Você acredita que é a melhor fase do tênis feminino do Brasil nas últimas décadas? 

Acho que vem em ascensão, não dá para falar que é o melhor momento, mas são diferentes dificuldades. Com certeza, essa geração está inspirando a nova geração que vem chegando. Espero inspirar mais pessoas. Espero mais visibilidade, mais jogos na TV. É isso o que mais quero.

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