Atlético e América abrem nesta quarta (2), às 19h30, no Independência, a última rodada da fase classificatória da Copa Sul-Minas-Rio. E a competição, confirmada na última hora, apesar da pressão contrária da CBF e de algumas federações estaduais, entra na sua reta final mostrando que, mesmo ainda sem a organização e o poder financeiro ideais, tem mesmo que ser temida por quem trabalha contra a mudança da estrutura do futebol brasileiro.

A Copa Sul-Minas-Rio tem uma média de público superior a 12 mil torcedores por partida. Dos cinco estados com clubes envolvidos na competição, o que tem a melhor média de pagantes na sua Primeira Divisão é o Campeonato Mineiro, com 4.400 pessoas por jogo.

“É gritante a diferença. Olha o potencial de um Atlético x Flamengo ou um Cruzeiro x Fluminense frente a qualquer jogo do Estadual, que não seja envolvendo os grandes. Rodada sim, rodada não, pelo menos, você terá sempre confronto de Série A na Sul-Minas-Rio. O torcedor prefere um clássico nacional que uma partida de campeonato estadual”, afirma o consultor em marketing e administrador esportivo Amir Somoggi.

Apesar de ter a certeza de que os estaduais estão condenados, pelo baixo interesse do público nos confrontos, que são tradicionais, mas perderam espaço com a globalização, ele defende o futebol no interior, mas com os clubes enfrentando adversários do mesmo nível.

“O Estadual é uma estrutura que enfraquece o Campeonato Brasileiro. Os times do interior são quase todos sem calendário e se apegam ao Estadual. O ideal é se ter várias divisões nacionais, com jogos o ano inteiro. Não vai haver confronto com os grandes, mas essas equipes precisam pensar em estádios pequenos, dentro da sua realidade de público”, defende Somoggi.

“Sou suspeito para falar, pois quem ressuscitou a Sul-Minas, que teve a adesão carioca, foi o Coritiba. Acho importantíssimo. Nossos estaduais são ultrapassados. Deveriam ser uma extensão da pré-temporada, mas são quase um alojamento hospitalar. O pessoal do interior não quer perder e entra com tanta vontade que parece querer quebrar nossos jogadores. Não quero que os estaduais acabem, mas precisam ser remodelados”, defende Rogério Bacellar, presidente do Coritiba.

Futuro

Apesar de ser um grande defensor da Copa Sul-Minas-Rio, Amir Somoggi afirma que a competição, para o futuro, precisa se fortalecer comercialmente, pois este ano, em alguns casos, como em Minas, os clubes faturaram menos que nos respectivos estaduais.

Bacellar afirma que a expectativa é mudar esta realidade: “Neste primeiro ano houve um entendimento dos clubes para que trabalhassem sem pensar no lucro, para que, no segundo ano, irmos atrás da autossustentabilidade”.
 

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