O ex-goleiro argentino Andrada, que sofreu o gol que foi o milésimo da carreira de Pelé, morreu nesta quarta-feira, (4) aos 80 anos de idade. Ídolo do Rosario Central e com importante passagem pelo Vasco, clube que defendeu entre 1969 e 1975, ele não teve as causas de sua morte divulgadas.

Andrada ganhou grande notoriedade ao levar o milésimo gol da trajetória de Pelé em sua gloriosa carreira profissional, no dia 19 de novembro de 1969, quando o Rei do Futebol superou o argentino em um cobrança de pênalti durante um duelo entre Santos e Vasco no Maracanã.

Conhecido como "El Gato", o goleiro foi campeão brasileiro pelo time vascaíno em 1974 e antes disso ajudou a equipe a faturar o Campeonato Carioca de 1970. Ele também é o jogador de sua posição com mais partidas pelo Rosario Central, com 284 ao total, sendo que defendeu a Argentina durante a Copa América de 1963.

Após encerrar a sua passagem pelo Vasco em 1975, ano em que esteve presente na primeira participação do clube na Copa Libertadores, Andrada atuou pelo Vitória, da Bahia, em 1976, mas em novembro daquele mesmo ano optou por voltar à Argentina, onde jogou pelo Colón a partir de 1977. E ele só encerrou a sua carreira aos 43 anos, em 1982, então pelo desconhecido clube Renato Cesarini, também do seu país.

LIGAÇÃO COM A DITADURA - Pouco depois de se aposentar, Andrada viu a sua importante biografia como jogador ser manchada pelo seu envolvimento com a ditadura militar argentina. Em 1983, ele chegou a cooperar com o PCI (Pessoal Civil de Inteligência), órgão que reunia civis que agia em práticas de espionagem e repressão para o governo autoritário da época.

O ex-goleiro ainda chegou a ser acusado de ter participado da execução de dois militantes políticos contrários ao regime vigente, mas negou envolvimento nos assassinatos de Osvaldo Agustín Cambiaso e Eduardo Pereyra Rossi.

Muitos anos depois disso, em 2007, Andrada voltou a fazer parte do mundo do futebol profissional ao trabalhar como preparador de goleiro do Rosario Central. E em fevereiro de 2012, o juiz federal Carlos Villafuerte Ruzo considerou o ex-jogador inimputável, em decisão justificada por falta de provas contra ele.