Médico anestesista da saúde pública de Belo Horizonte, o ex-goleiro Marcial de Melo Castro faleceu na manhã desta quinta-feira (2), na capital mineira, aos 77 anos. O jogador que trocou as luvas pelo estetoscópio defendeu Atlético, Flamengo e Corinthians na década de 1960, além da Seleção Brasileira.

Marcial ficou imortalizado no futebol brasileiro por ter sido o grande herói do Flamengo em um dos mais marcantes Fla-Flus da história. Em 1963, 194.603 pessoas se espremeram no Maracanã para ver aa decisão daquele Carioca. Ao Fla, bastava o empate para findar a seca de sete anos. Marcial marcou o nome no jogo com uma defesa milagrosa à queima-roupa.

"Ele já comemorava o gol quando mostrei a bola à torcida", disse Marcial, à Revista Placar de 1987, quando já há muito havia se aposentado dos gramados para vestir o jaleco branco. O ex-arqueiro deixou o futebol precocemente, aos 27 anos, para se dedicar à verdadeira vocação da vida.

Torcedor ilustre do Fluminense, Nelson Rodrigues estava presente no estádio e dedicou sua coluna do dia seguinte ao jogo. Ponderando que o seu tricolor jogou melhor, ele cita Marcial como um dos determinantes para aquele placar inalterado que deu a taça ao Flamengo. Marcial havia chegado ao Rubro-Negro naquele mesmo ano, depois de passar quatro temporadas no Galo, em duas passagens.

Primeiro, chegou ao clube em 1960, ainda como juvenil. Chegou a deixar o Atlético quando passou no vestibular de medicina da UFMG. Jogando nos campeonatos da Federal, voltou a chamar a atenção do Galo. Em 1962 e em 1963, foi titular do arco, contabilizando 37 jogos e o título estadual de 62. 

No ano seguinte, antes de ser vendido para o Flamengo pela cifra recorde de 10 milhões de cruzeiros para o futebol mineiro, Marcial foi chamado para a Seleção Brasileira. Fez sete jogos no time nacional, sendo o primeiro goleiro da história do Galo a atingir tal nível. Titular do Sul-Americano de 1963, na Bolívia, quando Aimoré Moreira convocou um time tendo a Seleção Mineira como base.