cruzeiro, sérgio santos rodrigues
 

Caixa vazio, chuva de processos na Justiça do Trabalho, bloqueios judiciais diários, dívidas altas e juros derretendo o pouco que sobra para o clube. Ser presidente do Cruzeiro não será tarefa fácil, e isso Sérgio Santos Rodrigues sabe bem. 

O novo gestor executivo da Raposa, eleito no dia 21 de maio e empossado em 1º de junho, anunciou após sua eleição que um núcleo de inovação seria formado para investimentos em tecnologia no Cruzeiro. O objetivo é monetizar conteúdos digitais e uma das ações de curto prazo para tentar alcançar mais seguidores foi criar "a Live do Presidente". 

Com periodicidade inicialmente definida, a cada sete dias, Sérgio Santos Rodrigues se dirigirá aos torcedores, investidores, imprensa e associados dos clubes de lazer do Cruzeiro para anunciar novidades. E a próxima conversa oficial do presidente com seu público está marcada para esta quinta-feira (4) a partir das 17h. 

A "Live com o presidente" é uma forma encontrada de trazer mais acessos aos canais oficiais do clube. E quanto mais engajamento se alcança, mais dinheiro as redes sociais podem trazer para o clube. E de diversas formas, o que pode ser alternativa para "descravizar" o Cruzeiro de suas arcaicas, porém normais e difundidas em todo o país, maneiras de angariar receitas: como bilheteria, venda de jogadores, direitos televisivos, royalties e venda de produtos oficiais. Todas essas extremamente atingidas pela pandemia do coronavírus.

"Criatividade para arrumar dinheiro. Faço um paralelo sempre com os cantores. Muitos acharam que a vida deles acabaria sem shows, aí vieram as lives (shows transmitidos via internet) e muitos estão ganhando mais dinheiro do que se estivessem fazendo shows normais. Para isso que temos nossa equipe de inovação, profissionais que trouxemos de grandes empresas, inclusive essas extensões noturnas de trabalho passam muito por brainstorm (chuva de ideias em tradução literal) para discutirmos novos produtos, novas formas de se fazer dinheiro em curto, médio e longo prazo", disse Sérgio Rodrigues ao Hoje em Dia.

Anos luz à frente

Empresas especializadas em gestão esportiva têm estudado justamente cases envolvendo o mercado internacional e o uso das redes sociais como propulsores de receitas. A NBA, por exemplo, segundo informações da gerência de esportes da EY - uma das maiores empresas de consultorias do mundo - trabalha em diversas fontes digitais. E o jogo em si, de acordo com analistas, é a parte final de todo um processo. 

O futebol espanhol gera 70% de seu consumo por meio indireto, com fantasy games, jogos, aplicativos, usando o futebol especificamente como sua plataforma de engajamento. 
Até mesmo a indústria cultural virou alternativa de produção de conteúdo que cria direitos de transmissão e ganhos financeiros às equipes. Séries e filmes têm sido produzidos explorando a marca dos clubes. 

Recentemente a plataforma Netflix disponibilizou, por exemplo, a série documental "Matchday", produção audiovisual que mostra os bastidores do Barcelona na reta final da Liga dos Campeões 2018/2019. Foi o primeiro trabalho da gigante do streaming com o clube espanhol. Os direitos de transmissão são válidos apenas para a América Latina e Canadá. O conteúdo foi gerado pelo Barça Studios.

"O que pode ser receita recorrente, o que será produto específico para colocar no mercado de uma vez e conseguir dinheiro em curto prazo. Já está saindo muita coisa boa. Daqui a pouco vamos anunciar e obviamente contar com a ajuda do torcedor para isso. Eu sempre falo que o Cruzeiro só sairá do buraco se os nove milhões de torcedores abraçarem o time e contribuírem para sua ressurreição", afirmou Sérgio Santos Rodrigues ao HD

Investimento em conteúdo

Com profissionais renomados na área de marketing o Cruzeiro até iniciou uma subida considerável em seus números nas redes sociais em 2018, o primeiro ano da gestão de Wagner Pires de Sá no clube.

Antes de explodirem tantas denúncias e equívocos na gestão passada, os profissionais da gerência de conteúdo tinham liberdade para trabalhar mesmo sem investimento. E dessa forma expandiram em 17,1% no número de seguidores contando três pilares na internet na época: Twitter, Instagram e Youtube.

Em 2017 eram 5.296.106 milhões de seguidores somando as três plataformas juntas. Em dezembro de 2018 esse número saltou para 6.201.747 milhões de inscrições de acordo com o Ibope Repucom, a líder global em pesquisa de marketing esportivo e retorno de exposição das marcas em mídias. 

Títulos e campanhas bem sucedidas do Cruzeiro em campo entre 2017 e 2018 ajudaram a alavancar os números nas redes sociais, também, porque o departamento de criação de conteúdo tinha mais trabalho e assunto para explorar mesmo que sem investimentos audaciosos financeiramente. Já havia ali dificuldade financeira, até mesmo pelos gastos exorbitantes com outras áreas e funcionarios. 

Em 2019 os números do Cruzeiro seguiram em crescimento. Porém em menor escala que no ano anterior, muito pelas denúncias envolvendo o presidente anterior e sua diretoria. 

Em dezembro do ano passado a Raposa somava 6.833.998 milhões de seguidores em todas as redes sociais medidas pelo Ibope Repucom. Em abril de 2020 o número apontava 6.924.361 milhões de seguidores, 1,23% a mais do que a medição anterior (dezembro de 2019).