"Se eles descerem ou subirem, o que importa é que a gente tem que continuar fiel pelo time. Eles têm que confiar na gente e a gente neles". Foram com estas palavras, há cerca de 15 anos, que Gabriel Gonçalves Schmidt, na época um torcedor mirim, traduziu o sentimento do atleticano com o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Num dia normal na escola onde fazia Ensino Fundamental, na Região Centro-Sul da capital, ele e alguns amigos acabaram se tornando personagem de uma matéria da Globo/Sportv. O assunto, obviamente, era a queda inédita do alvinegro. Hoje, as 23 anos, olha para trás com orgulho de cada palavra proferida perante o microfone.

"Eu tinha oito anos naquela época. A reportagem seria numa sala acima; pedimos para participar também e houve esta função com a turma mais velha. Eram só atleticanos na entrevista. Eu só tinha uma camisa oficial, pois naquela época era complicado ter. A minha já não servia mais, há uns dois anos. No vídeo, ela aparece em cima da mesa. Usei uma falsificada que ganhei numa rifa de festa junina", relembra Gabriel.

"Estava ansioso com aquela entrevista. Tudo o que envolve o Galo nos deixa assim. O que eu falei ali foi o mais sincero. Sou atleticano desde pequeno e sofri muito quando caímos. Meu pai sempre falava que conseguiríamos recuperar", acrescenta. O hoje estudante de estudante de Engenharia da Computação, inclusive, tinha na parede do quarto um pôster do ano seguinte, quando o Atlético conquistou a Divisão de Acesso.

Ainda segundo ele, alguns amigos de escola viraram cruzeirenses naquela época, principalmente pelas conquistas recentes da Raposa, comandada pelo meia Alex; a Tríplice Coroa, a mais importante.

Mantendo-se firme na torcida pelo clube de coração, Gabriel foi recompensado anos após. Assim como milhares de atleticanos, ele viu de perto as conquistas da Copa Libertadores, da Copa do Brasil e também da Recopa Sul-americana. Com isso, provou década e meia depois que, de fato, vale mesmo a pena ficar 'com a pureza da resposta das crianças'.