Superar Pelé é algo inimaginável no mundo do futebol. Pois Neymar tem essa chance numa das maiores façanhas do Rei, que é o maior artilheiro da história da Seleção, com 77 gols. E inspirado por um dos mais belos gols de sua carreira, marcado nesse domingo (8) nos 3 a 0 do Barcelona sobre o Villarreal, ele dá sequência à corrida pelo recorde na quinta-feira, quando volta a vestir a camisa 10 do Brasil contra a Argentina, às 22h (de Brasília), em Buenos Aires, pela terceira rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo.

Hoje, 31 gols separam Neymar de Pelé. Se mantiver a média de 0,68, o jogador do Barcelona vai precisar de mais 47 jogos para superar o Atleta do Século, que tem média de 0,84, e alcançar o posto de maior artilheiro geral da história da Seleção.

E Neymar, com certeza, disputará muito mais que 47 jogos oficiais com a camisa amarela. Com 23 anos, o atacante soma 67 partidas.

FACILIDADES

Um aliado de Neymar é o calendário da Seleção, que disputa mais jogos oficiais atualmente que na época de Pelé.

Pode-se considerar que o Rei do Futebol defendeu a Seleção por 13 anos, com média de sete partidas oficiais por temporada.

Neymar tem um número bem superior, pois entra em campo, por ano, em média, 12 vezes.

Entre Pelé e Neymar há três craques. O primeiro deles, Zico, pode ser superado ainda este ano, pois tem apenas dois gols a mais (48 a 46). Depois, o desafio passa a ser superar Romário (55 gols) e Ronaldo (62).

APOSTA

Companheiro de Pelé na conquista do tri, em 1970, o hoje colunista Tostão acredita que é uma questão de tempo Neymar se tornar o maior artilheiro da Seleção.

“A primeira vez que vi o Neymar, quando ele estava começando, fiquei impressionado. Imaginei que se tornaria um fora de série, um jogador fenomenal, e já é. Ele tem chance de se tornar, depois do Pelé, o maior jogador da história do futebol brasileiro. E acredito que se torne o maior goleador em números absolutos, embora na média seja difícil”, analisa Tostão.

POTENCIAL

O colunista vê Neymar com um potencial técnico superior a jogadores consagrados, como Romário, Ronaldo e Garrincha, mas recorre à vizinha Argentina para destacar a importância de o atual camisa 10 da Seleção construir um currículo com a camisa amarela.

“Isso é muito discutível, é época, mas ele tem chance de superar todos os outros, Garrincha, Romário, Ronaldo. Não é questão de número, mas de qualidade. O currículo aumenta o jogador. Para a afirmação é fundamental. Do ponto de vista da análise fria, técnica, acho o Messi mais completo que o Maradona. Não tenho dúvida disso. Mas o Messi vai ficar longe na história se não for campeão do mundo e fizer um gol espetacular como o Maradona (em Copas)”, afirma Tostão.

E o ex-jogador prossegue: “Não é só a Copa do Mundo, que sem dúvida é o mais marcante, mas os grandes títulos. Se o Brasil for campeão, na próxima Copa ou em 2022, ele (Neymar) com certeza será o destaque do time. Garrincha fez coisas maravilhosas numa Copa. Ronaldo e Romário a mesma coisa. Para o Neymar ficar imortalizado, acima desses jogadores, tem que fazer uma Copa espetacular, o Brasil ser campeão, ele ser eleito o melhor. Isso será necessário, sem dúvida. Mas do ponto de vista da qualidade técnica, depois do Pelé, acho ele o jogador mais completo da história do futebol brasileiro”.