O técnico Tite anunciou na ultima sexta-feira (17) a lista dos 23 jogadores que representarão a Seleção Brasileira na Copa América com sede em solo tupiniquim. Entre eles, o zagueiro Éder Militão (Porto), o meia Arthur (Barcelona) e os atacantes Everton Cebolinha (Grêmio) e David Neres (Ajax) possuem algumas semelhanças em suas carreiras. Além de fazerem parte de uma geração de bons frutos de São Paulo e Grêmio, também foram descobertos pelo mesmo profissional: Júnior Chávare, anunciado nesta terça (21) como novo diretor das categorias de base do Atlético.

Com passagem de destaque tanto pelos gaúchos como pelos paulistas. Chávare teve papel importante no início da carreira destes quatro jovens jogadores que, pela primeira vez, vão jogar um torneio de grande porte com a camisa amarelinha.

Hoje grande destaque no ataque do Grêmio, Everton chegou ao Grêmio em 2013, pouco antes de Chávare. E o diretor do Grêmio em pouco tempo se encantou com o jovem promissor que, segundo ele, se transformaria rapidamente em um jogador de seleção.

‘Cebolinha’ fez parte do Projeto Lapidar,  implantado pela direção da base, sob comando de Júnior Chávare, que consistia em um “estágio” para jogadores das categorias sub-14 até sub-20.

"A gente melhorou as qualidades do Everton. Ele se mostrou muito versátil: jogou na direita, na esquerda e até no meio. Em seguida, trabalhamos o um contra um e o chute de fora da área. O que me surpreendeu nele foi que sempre adorou jogos duros, importantes. Tenho certeza que fará sucesso quando for para a Europa”, diz Chávare.

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No fim de 2014, Chávare foi contratado pelo São Paulo. Após o bom desenvolvimento de trabalho na base gremista, os dirigentes paulistas viram no profissional a chance de reestruturar esse setor dentro do clube, que passava por uma crise. 

"Na época me assustei, pois existiam listas de jogadores aprovados, em processo de dispensa definida e outros para serem melhores analisados. Pedi um tempo para poder observar todo mundo e, no fim, exigimos que ninguém fosse mandado embora de cara", relembra.

Segundo Chávare, naquele momento, Éder Militão e David Neres apresentavam algumas características que, segundo quem estava no São Paulo, seriam problemáticas: Neres na parte física e o Militão na compreensão tática. 

"Entretanto, aos nossos olhos, imediatamente vimos que o potencial deles era maior que isso. É preciso, nesses momentos, levar em conta o conceito de categoria de base. São jogadores que temos de formar, pegar as dificuldades que eles têm e evoluir", conclui.

O resultado todos sabem: Neres continuou no São Paulo, onde foi vendido por 15 milhões de euros para o Ajax e hoje é um dos destaques da equipe campeã holandesa e semifinalista da Liga dos Campeões. Enquanto isso, Militão saiu por 4 milhões de euros, pois estava em fim de contrato, mas voltou a render com a ida ao Real Madrid por 50 milhões de euros em março deste ano.

Lapidação

E Chávare mostrou em seu retorno ao Grêmio, em 2015, que tem bons olhos para “jogadores que precisam de lapidação”. Hoje no Barcelona, Arthur chegou a estar na lista de dispensa do Tricolor, mas permaneceu depois de pedido pessoal de Chávare.

"Uma das primeiras coisas que fiz em minha volta foi dizer que o Arthur ia ficar. Ele passou por um processo de reciclagem nos três primeiros meses de 2016 para desenvolver intensidade e resistência ao jogo. Melhorou e pouco tempo depois começou a ser utilizado pelo Róger para explodir com o Renato”, explica.

Maior negociação da história do Grêmio, o craque foi vendido para os catalães por 30 milhões de euros – com acréscimo de 10 milhões de euros por metas batidas. Na atual temporada foi bastante utilizado pelo técnico Ernesto Valverde durante a campanha que rendeu o título do Campeonato Espanhol ao Barça.