“Vamos, Willian. Vamos. Tem que ser mais rápido.” Virou uma rotina na Toca da Raposa II. Em nenhum treinamento do Cruzeiro, o técnico Mano Menezes alivia para os jogadores. E tem sido assim desde que ele chegou, no início de setembro, com a missão de afastar o time da zona de rebaixamento.

Com um método bem definido de muito treinamento e pouco descanso, Mano Menezes mudou a rotina do clube em pouco mais de dois meses. Afeito a táticas e apegado a detalhes, o treinador trouxe novos conceitos, alguns deles frutos do período sabático que capitalizou na Europa.

Um deles é o fim do tradicional rachão. A atividade recreativa com jogadores misturados e goleiros na linha não ocorre mais.

Cada minuto é aproveitado pelo treinador, que prioriza muito o trabalho tático e os treinos de finalização, principalmente de fora da área.

Usar dados estatísticos também tem sido um diferencial. A cada atividade, Mano mostra aos jogadores, com números e imagens, o que deve ser aprimorado. Foi da Europa que veio a nova metodologia.

De cima de uma estrutura improvisada ao lado de um dos campos da Toca, o auxiliar de Mano, André Batista, grava a maioria dos treinamentos para auxiliar o comandante a corrigir erros de posicionamento no time.

“Na Europa se usa o drone (equipamento que faz pequenos voos com câmera acoplada), tem o ângulo de cima, e os espaços de movimentação ficam claros. Isso vai acontecer com muita frequência aqui”, disse Mano sobre a novidade que vem aí.

Também veio da Europa a inspiração de realizar treinos técnicos em campo reduzido, uma metodologia que as principais equipes europeias usam. Nessas atividades, Mano pede para que os atletas troquem passes curtos e rápidos, e busquem triangulações. Os chutões são criticados pelo treinador, que preza o toque de bola.

As inovações têm surtido efeito. De próximo da zona de rebaixamento, o Cruzeiro passou a sonhar com uma vaga no G-4. O time defende uma invencibilidade de 12 partidas sem perder no Brasileirão.

“O Mano está há pouco tempo com a gente e fazendo um trabalho bom, concreto. Isso dá um gosto bom para a gente pensar em 2016. Fica a angústia de não ter feito um primeiro turno bom; se tivesse feito, a gente teria mais possibilidade de brigar pelo G4”, constata o goleiro Fábio.