Pivô de polêmicas fora de campo e por vezes vaiado em função de atuações aquém do esperado, Cazares não apenas ‘respira aliviado’ nesta reta final de temporada, amparado pelas recentes performances de alto nível – assim como se deu nos últimos jogos de 2018, quando foi crucial para o Atlético chegar à Libertadores –, como também tenta atingir um objetivo pessoal nos dois embates que restam no ano. O primeiro deles, hoje, às 19h30, no Mineirão, contra sua maior vítima, o Botafogo – o último, ante o Internacional, no domingo, no Beira-Rio.

No embate válido pela 37ª rodada do Brasileiro, Juanito pode igualar – ou ultrapassar – Lucas Pratto como maior artilheiro estrangeiro do clube. Com o tento anotado nos 2 a 1 sobre o Corinthians, no último domingo, o armador chegou a 41 gols com a camisa preta e branca, um a menos que o argentino.

Em agosto, após o triunfo sobre o Fluminense, por 2 a 1, com direito a um gol de Cazares, o camisa 10 estava a três gols do centroavante e aproveitou a deixa para “cutucar” Pratto nas redes sociais. “Meu amigo Lucas Pratto vai ficar em segundo”, disse, referindo-se à disputa pela artilharia entre os estrangeiros do Galo.

O meia, porém, passou por uma escassez de gols: demorou 19 partidas até voltar a balançar as redes, contra o Bahia, em 27 de novembro. No jogo seguinte, ante o Corinthians, mais um gol.

Atlético

“Pelezares”

Nas nove ocasiões em que defendeu o Atlético perante o adversário carioca, Juanito soma quatro vitórias, dois empates e três derrotas. E o retrospecto positivo vai além: o Botafogo é o time mais vazado pelo camisa 10 alvinegro. Dos 41 gols que o armador tem pela equipe, cinco foram em cima do oponente desta noite.

Para muitos, inclusive, foi diante do Botafogo que Cazares fez sua melhor apresentação, uma partida com o selo “Pelé” de qualidade. No dia 30 de junho de 2016, o equatoriano fez dois gols – sendo um deles um golaço – e deu duas assistências no triunfo de 5 a 3, no Mineirão, pelo Brasileirão. Naquele dia, saiu de campo ovacionado pela Massa, que reproduzia o gesto de saudação a Ronaldinho Gaúcho. Popularizou-se ainda o apelido de “Pelezares”.

Atuações como aquela se tornaram raras e não tiveram mais o mesmo efeito aos aficionados atleticanos. Depois daquilo, Cazares entrou numa fase “vaga-lume”, entre lampejos de gênio e performances burocráticas – algumas delas, pífias.

No entanto, como em tantos episódios da história recente do clube, Cazares é considerado o termômetro da equipe alvinegra. Dos seus pés, podem sair lances épicos, como os do confronto de três anos atrás, ou vir um tropeço, como se deu em 2017, quando o Fogão eliminou o Galo na Copa do Brasil. Nesta noite, saberemos qual lado da moeda prevalecerá.

Cazares

* Colaboraram Alexandre Simões e Hugo Lobão